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Escolas que apostaram em temas de apelo social ou fizeram duras críticas ao ideário político nacional se destacaram no carnaval paulistano

As duas noites de desfile do Grupo Especial do carnaval de São Paulo demonstraram que as escolas de samba paulistanas estão engajadas em demover aquela incômoda percepção de que não sustentam o mesmo apelo e criatividade das do Rio de Janeiro e para isso apresentaram desfiles poderosos com reverberações políticas e sociais na expectativa de reclamar uma relevância cultural que em 2018 foi toda da Paraíso do Tuiuti, vice-campeã carioca.

Comissão de Frente da Vai-Vai
Reprodução/Globo
Comissão de Frente da Vai-Vai

Vai-Vai e Mancha Verde, inegavelmente dois destaques do carnaval de São Paulo em 2019, apostaram em enredos que potencializaram o lugar de fala dos negros. A Mancha, apontada como uma das melhores de sexta (1º), usou seu desfile sobre a princesa africana Aqualtune para discutir escravidão, direitos de negros e mulheres e intolerância religiosa.

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Já a escola do Bexiga mostrou as lutas do povo negro com o enredo "O Quilombo do Futuro". A mensagem da escola contra o racismo foi poderosa e se valeu de um afronauta viajante no tempo. 

A África como origem das civilizações foi o ponto de partida da Vai-Vai. Que lembrou o Egito negro, que possibilitou uma chave para todo o conhecimento do presente, passado e futuro. A escravidão e o protagonismo negro também tiveram vez, assim como o afrofuturismo. A bateria de Panteras Negras foi outro destaque. Marielle Franco, vereadora do PSOL assassinada a tiros em março de 2018, foi lembrada em um mosaico com a expressão "Marielle Presente". A filha e irmã da vereadora desfilaram para compor a homenagem da escola.

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Um carnaval sério

Águia de Ouro fez uma crítica à corrupção
Reprodução/Facebook
Águia de Ouro fez uma crítica à corrupção

A Águia de Ouro levou para a avenida um protesto contra a ganância e a corrupção. A escola que retornou ao Grupo Especial neste ano apostou no enredo Brasil, eu quero falar de você! Que País é Este!" Vampiros, urubus e ratazanas foram símbolos da corrupção. Houve ainda panelaços e uma ala dedicada à Lava-Jato.

Evocando versos de Chico Buarque e de Caetano Veloso na ditadura, a Tucuruvi também politizou na avenida com uma alegoria simbolizando o Congresso Nacional com uma grande ratazana e na ala dedicada à CLT, os componentes se fantasiaram de carteira de trabalho.

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A Tatuapé, bicampeã do carnaval de São Paulo , falou dos lutadores do cotidiano e recebeu o tom político vigente com maior imaginação. A escola falou de guerreiros e figuras mitológicas de civilizações antigas até o Brasil atual.