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Colorado do Brás abriu a primeira noite de desfiles do carnaval de São Paulo; X9 emocionou o público ao levar Arlindo Cruz para o Anhembi

Sete escolas de samba abriram a primeira noite de desfiles do carnaval no Sambódromo do Anhembi na noite da última sexta-feira (01). Com atraso e um pouco de chuva, Colorado do Brás, Império de Casa Verde, Mancha Verde, Acadêmicos do Tucuruvi, Acadêmicos do Tatuapé, X9 Paulistana e Tom Maior coloriram a avenida em noite marcada por emoções e muito luxo.

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A Império de Casa Verde foi um dos destaques da primeira noite de desfile
Reprodução/Globo
A Império de Casa Verde foi um dos destaques da primeira noite de desfile


A Colorado do Brás foi a primeira entre as escolas de samba a cruzar a avenida. A escola conquistou uma vaga no Grupo Especial do carnaval 2019 após boa colocação do Acesso em 2018. A última a entrar na avenida foi a Tom Maior, já às 06h20.

Colorado do Brás

A Colorado do Brás abriu a primeira noite de desfile das escolas de samba de São Paulo
Reprodução/Twitter
A Colorado do Brás abriu a primeira noite de desfile das escolas de samba de São Paulo


Abrindo o carnaval de São Paulo , a Colorado apostou em enredo africano e homenageou a Quênia, país da África Oriental, mas com menções ao desenho "O Rei Leão", lembrado no samba-enredo, cirando a famosa música Hakuna Matata.

Os dois personagens, inclusive, foram lembrados em uma das 21 alas da escola. Já o último carro alegórico trouxe a fauna e a flora da selva da animação. O terceiro carro mostrou uma aranha de 20 metros de comprimento e 11 de largura para contar a lenda da aranha que "tecia contos".

Desfile da Colorado do Brás
Reprodução/Twitter
Desfile da Colorado do Brás

Além da famosa animação, a escola também apostou em representações da história queniana. O enredo "Hakuna Matata, isso é viver" mostrou ainda rituais e religiões de origem africana.  O segundo carro, por exemplo, mostrou a festa kwanza, realizada em agradecimento por uma boa colheita.

Um pequeno imprevisto também marcou a noite da escola. Um dos carros que tinha um elefante teve que ser empurrado, mas isso quase não foi percebido. Já os componentes da bateria se fantasiaram de oran e a rainha, Muriel Quixaba, estava como a mais poderosa do xirê. A chuva no fim do desfile não atrapalhou a escola, que fez o "arroz com feijão" na avenida.

Império de Casa Verde

A Império de Casa Verde levou o cinema para o Anhembi
Reprodução/Globo
A Império de Casa Verde levou o cinema para o Anhembi


Com parte de seu desfile embaixo de chuva, a Império de Casa Verde falou sobre o cinema no Anhembi . Apesar do enredo ser inspirado na saga "Star Wars", toda a história do cinema esteve presente no desfile da escola da zona norte.

O carro abre-alas foi a maior alegoria da história da Império com uma "carreta furacão" gigante composta por vários super-heróis e outros personagens do cinema, além de um telão que mostrava algumas cenas marcantes.

Império relembrou clássicos
Reprodução/Globo
Império relembrou clássicos


Entre as alas tinham aquelas que representaram "Toy Story", "Indiana Jones", "Cleópatra", "Jurassic Park", entre outras. Já o último carro foi totalmente dedicado ao "Star Wars", com mais de 30 personagens de projeções de imagens da saga.

Mancha Verde

Abre-alas da Mancha Verde
Reprodução/Globo
Abre-alas da Mancha Verde


Já sem chuva em São Paulo, a Mancha Verde entrou no Anhembi para discutir a escravidão e a intolerância religiosa em enredo que homenageava a princesa africana Aqualtune. O abre-alas gigante da escola retratava as riquezas de Congo e de Oxalá, um dos orixás das religiões africanas.

A bateria, representada por Viviane Araújo, estava vestida como guerreiros africanos. Já Vivi usou um black power para representar a princesa do enredo da escola. Na ala das baianas, 70 mulheres representaram sacerdotistas do continente, responsáveis pela proteção espiritual da princesa, seguidas por uma ala com os conquistadores portugueses, que exploraram a África.

A Mancha falou sobre uma princesa africana em seu desfile
Reprodução/Globo
A Mancha falou sobre uma princesa africana em seu desfile


Nos carros, componentes retrataram momentos de tortura e punições em que os escravos eram submetidos no Brasil.  O último carro mostrava o quilombo dos Palmares.

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Acadêmicos do Tucuruvi

Comissão de Frente da Tucuruvi
Reprodução/Globo
Comissão de Frente da Tucuruvi


A Tucuruvi, que no ano passado não foi julgado por conta de um incêndio que destruiu parte de suas fantasias, foi a quarta escola de samba a cruzar a avenida apostando em um enredo cheio de críticas polícias e sociais.

Com índios no carro abre-alas, a escola construiu uma história com desde a chegada dos portugueses no Brasil até as manifestações na Avenida Paulista, já no quarto carro. Um dos destaques do desfile também foi um banquete com uma ratazada enorme em frente ao congresso Nacional. Já em uma ala dedicada à CLT, os componentes se fantasiaram de carteira de trabalho.

A Tucuruvi fez protesto político em sei desfile
Reprodução/Twitter
A Tucuruvi fez protesto político em sei desfile


A corrupção foi mostrara com componentes que sambaram simbolizando "burros vendados", em alusão à venda de votos no Brasil. Em outra ala cara pintadas pediam o impeachment de Fernando Collor.

Acadêmicos do Tatuapé

A Tatuapé foi um dos destaques da primeira noite de desfiles
Reprodução/Globo
A Tatuapé foi um dos destaques da primeira noite de desfiles


Atual campeã do carnaval paulista, a Acadêmicos do Tatuapé, que falou sobre guerreiros, começou seu desfile com guerreiros das religiões e da astrologia. A comissão de frente homenageou São Jorge e o abre-alas veio com outras figuras religiosas.

Um dos carros mostrou o coliseu romano e seus deuses e seres históricos. Atrás dele, soldados romanos, espartanos e gladiadores foram representados em alas.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Tatuapé
Reprodução/Globo
Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Tatuapé


Em outra alegoria, a escola misturou guerreiros de relgiões africanas, como Exu, Xangô, Ogum e Iansã, e a  resistência contra a escravidão, representada por um quilombo. O penúltimo carro homenageou pessoas que lutam por um mundo melhor sem armas, seguida por "guerreiros do cotidiano", com alas de garis, moradores de rua, bombeiros, médicos, policiais e professores.

No final do desfile, a escola mostrou os guerreiros do carnaval, com um carro dedicado aos próprios sambistas da Tatuapé.

X9 Paulistana

Arlindo Cruz foi homenageado no desfile da X9 Paulistana
Reprodução/Globo
Arlindo Cruz foi homenageado no desfile da X9 Paulistana


A penúltima escola a entrar no Anhembi foi a X9 Paulistana com uma homenagem ao cantor Arlindo Cruz, que compareceu ao desfile. O artista vem se recuperando de um AVC e sua presença no desfile emocionou a todos.

Na comissão de frente, a X9 mostrou a luta de Arlindo através do confronto entre Ajogun, uma força negativa dentro das religiões africanas, e Xangô, santo do cantor. A esposa do cantor foi representada como a orixá Yansã.

Carro alegórico da X9
Reprodução/Globo
Carro alegórico da X9


A escola também falou sobre a carreira e a vida do sambista desde sua origem africana ao começo do sucesso no bloco Cacique de Ramos, que culminou em suas participações no grupo Fundo de Quinta e no programa "Esquenta".

Um carro ainda representou as favelas e seus moradores, que são exaltadas pelo cantor. Mas o verdadeiro destaque da escola foi a presença do próprio cantor, que, acompanhado da família, desfilou no último carro segurando um machadinho de Xangô. Sua presença surpreendeu, já que ela não havia sido confirmada por conta da chuva que podia prejudicar sua saúde.

Tom Maior

Carro Alegórico da Tom Maior
Reprodução/Globo
Carro Alegórico da Tom Maior


A Tom Maior fechou os desfiles das escolas de samba de São Paulo com um enredo sobre as "interrogações do nosso imaginário na busca do inimaginável". A viagem criada pelo carnavalesco André Marins foi feita com cinco alegorias e 23 alas.

A comissão de frente da Tom Maior representou "De onde viemos?", com um Adão saindo de dentrode uma espécie de ovo. Algumas alas deixaram no ar perguntas: o que nos diferencia de outros seres? Estamos sós no universo? 

Batia da Tom Maior já no final do desfile
Reprodução/Globo
Batia da Tom Maior já no final do desfile


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O último carro, que fechou a noite de desfiles do carnaval de São Paulo, questionou se existe vida após a morte, com musas e musos vestidos como anjos.