Sete escolas abriram o carnaval de São Paulo. Tom Maior teve problemas com uma alegoria e Sabrina Sato foi vaiada por chegar atrasada ao desfile

A primeira noite do carnaval de São Paulo não deixou dúvidas da grandeza do evento. As sete escolas que passaram pelo sambódromo do Anhembi esbanjaram elegância, vigor, criatividade e disposição, mesmo quando a chuva insistia em aparecer, como no desfile da Unidos de Vila Maria.

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A Unidos de Vila Maria foi a quarta escola a desfilar no primeiro dia de carnaval em São Paulo
Paulo Pinto / LIGASP / Fotos Públicas
A Unidos de Vila Maria foi a quarta escola a desfilar no primeiro dia de carnaval em São Paulo

A Tom Maior abriu os trabalhos com o foco no Nordeste e uma singela homenagem a Elba Ramalho. Vice-campeã do Grupo de Acesso no ano passado do carnaval de São Paulo , a escola da Zona Oeste passou pelo Anhembi em 64 minutos, um minuto menos do que o máximo permitido, mesmo tendo problemas com seu segundo carro.

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A escola levou 2.500 componentes em 19 alas e Elba Ramalho só apareceu no fim do desfile em meio a uma chuva de confetes.

O desfile apresentou referências aos gêneros musicais que fazem parte da carreira de Elba. O carro abre-alas chamou a atenção representando uma asa branca. Foi uma forma de fazer um tributo a Luiz Gonzaga, rei do baião e grande mestre da cantora.

Auto referência

Escola da zona norte, a Mocidade Alegre celebrou no Anhembi seus 50 anos de carnaval e foi a primeira a empolgar o público presente no sambódromo. Com 3,5 mil componentes e cinco alegorias, a escola completou o desfile com tranquilidade e sem nenhum imprevisto técnico, aos 60 minutos cravados – 5 minutos antes do limite de tempo.

A cor dourada foi predominante no desfile que marcou o jubileu de ouro da escola. A comissão de frente teve um bailarino mirim, de 7 anos, como destaque.

Mocidade Alegre trouxe para o Anhembi a sua própria história e homenageou a comunidade do Limão
Paulo Pinto / LIGASP
Mocidade Alegre trouxe para o Anhembi a sua própria história e homenageou a comunidade do Limão

Guerreiros, personagens históricos e seres mitológicos passaram pela avenida para contar a história de lutas e vitórias da Mocidade Alegre. A escola, vale lembrar, ostenta dez títulos e é uma das maiores vencedoras do carnaval paulistano.

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Reverência

Com desfile comportado e que já suscitara certa cota de polêmica nos últimos dias, a Unidos de Vila Maria levou para a passarela do samba uma homenagem a Nossa Senhora de Aparecida. A escola lembrou os 300 anos da aparição da padroeira do Brasil.

Isabel Fillardis personificou Nossa Senhora no desfile da Vila Maria
Renato Cipriano/Divulgação
Isabel Fillardis personificou Nossa Senhora no desfile da Vila Maria

O cantor Daniel foi o destaque do último carro e emocionado agradeceu pela imensa “honra” de fazer parte desta homenagem. O samba-enredo da escola foi um dos mais cantados da primeira noite.

Chamou atenção na Vila Maria o tom comportado das fantasias, já que a igreja católica atuou na concepção do desfile da escola. Um dos grandes momentos da noite foi quando a atriz Isabel Fillardis, devota de Nossa Senhora, surgiu no carro abre alas representando a santa.

Show de cores

A Acadêmicos do Tatuapé, vice-campeã em 2006, exaltou a riqueza e felicidade africanas no Anhembi. O que mais chamou a atenção no desfile da escola, o menos ostensivo da noite, foi o multicolorido das fantasias, adereços e alegorias.

Leci Brandão, madrinha da escola, abriu o desfile e puxou a Tatuapé para a avenida. Outro ponto alto da escola foi levar à avenida não só uma rainha de bateria, Andreia Capitulino, como um rei, o educador físico Daniel Manzioni.

Derramando o axé africano no Anhembi, a Tatuapé contou um pouco da história do continente, seus países e das religiões que lá originaram como o islamismo, o cristianismo e o candomblé.

A Acadêmicos do Tatuapé foi a quarta escola a desfilar no primeiro dia do carnaval de São Paulo
Robson Fernandjes / LIGASP / Fotos Públicas
A Acadêmicos do Tatuapé foi a quarta escola a desfilar no primeiro dia do carnaval de São Paulo

Terra mãe

A Gaviões da Fiel já mobilizava boa parte das arquibancadas antes mesmo de desfilar. A escola que já ganhou quatro títulos fez um elogio dos migrantes em São Paulo e de como eles foram fundamentais para o crescimento da principal metrópole do País.

O desfile da Gaviões da Fiel  foi composto por seis alas coreografadas, que conseguiram contar a história da capital paulista de forma cantada e com muito samba no pé. O ponto negativo da apresentação da escola foi a madrinha Sabrina Sato, que se atrasou e desfilou com sua fantasia incompleta.

Sabrina entrou tão apressada no Anhembi, que não conseguiu vestir toda a fantasia do desfile da Gaviões da Fiel
Paulo Pinto/Liga SP
Sabrina entrou tão apressada no Anhembi, que não conseguiu vestir toda a fantasia do desfile da Gaviões da Fiel


Arte urbana

Sexta escola a desfilar, a Tucuruvi apresentou o enredo “Eu Sou a Arte: Meu Palco é a Rua” em homenagem a artistas que emprestam seu trabalho às ruas das cidades. O tema, foi desenvolvido pelo carnavalesco Wagner Santos e englobou desde o surgimento das manifestações artísticas na era pré-histórica, passando pelo circo até o grafite, o hip-hop, o rap e o street dance.

As alegorias e adereços foram das mais criativas do primeiro dia de desfiles em São Paulo. Um dos carros da Tucuruvi, inclusive, representava o Coliseu de Roma. 

Em entrevista ao iG , o carnavalesco disse que o tema de 2017 foi definido bem antes do grafite virar uma celeuma na gestão Doria, mas a Tucuruvi levou para a avenida um dos murais que foram apagados pela prefeitura na Av. 23 de maio.

Apesar de contagiar o público, a escola se atrasou e muitos componentes precisaram correr para não estourar o tempo de desfile. 

Daniela Albuquerque estreou como rainha de bateria da Tucuruvi
Manuela Scarpa
Daniela Albuquerque estreou como rainha de bateria da Tucuruvi

Ao raiar do sol

Última escola a se apresentar, a Águia de Ouro se curvou ao melhor amigo do homem. Com Luisa Mell como embaixadora do samba-enredo "Amor com Amor se paga - Uma História Animal", a escola contagiou os foliões que esperaram até o sol nascer para ver a Águia passar.

Musas como Fernanda Pontes, estreando no carnaval paulistano, e Luize Altenhofen embelezaram o desfile da escola, que contou com cinco alegorias e 20 alas.  

Cinthia Santos, a rainha de bateria da Águia de Ouro
Manuela Scarpa
Cinthia Santos, a rainha de bateria da Águia de Ouro

Ao longo do desfile, a Águia de Ouro buscou retratar o papel do cão na sociedade e na cultura popular, buscando referências em desenhos, filmes e HQs. Mas o cachorro não reinou soberano. A Águia de Ouro cantou sobre pássaros, animais de circo e até baleias. A escola fechou o primeiro dia de desfiles com alto astral e a convicção que briga pelas primeiras posições no carnaval de São Paulo em 2017.

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