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A escola de samba faz homenagens à própria história durante o desfile de 2019, com seu enredo Quem não viu vai ver… As fábulas do Beija-Flor

A escola de samba carioca intitulada Beija-Flor de Nilópolis escolheu falar de si mesma no carnaval 2019, que coincide com seu aniversário de 70 anos. Inúmeros aspectos de sua longa história carnavalesca são trazidos na Marquês de Sapucaí neste ano. A escola em questão participa da primeira noite de desfiles, em 3 de março.

Beija-Flor de Nilópolis venceu o carnaval 2018
Divulgação/Riotur
Beija-Flor de Nilópolis venceu o carnaval 2018

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É com o samba enredo Quem não viu vai ver… As fábulas do Beija-Flor  que a vencedora do carnaval de 2018 vem buscar o seu 15º título. A escola do Grupo Especial conquistou o título no carnaval mais recente, com o enredo Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu, mergulhado em crítica social.

70 anos de Beija-Flor

Beija-Flor já tem 70 anos de avenida, e 14 títulos
Divulgação/Riotur
Beija-Flor já tem 70 anos de avenida, e 14 títulos

A escola foi fundada por Dona Eulália de Oliveira, em 1948. Na época, tratava-se apenas de um bloco natalino, no entanto. O nome veio de um rancho que existia na cidade de Valença, na região serrana do Rio, em que Dona Eulália desfilava quando mais nova. Foi apenas em 1953 que o Bloco Associação Carnavalesca Beija-Flor foi inscrito como uma escola, na Confederação das Escolas de Samba.

O primeiro desfile oficial pela qual a escola passou foi em 1954, pelo 2º grupo. No primeiro ano na avenida, já foi campeã, garantindo vaga no Grupo Especial. Dentre seus 70 anos de avenida, a escola carioca conquistou 14 vitórias (sem contar sua vitória no 2º grupo).

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Beija-Flor em 2018

Beija-Flor fez crítica social em 2018
Divulgação/Riotur
Beija-Flor fez crítica social em 2018



Os desfiles na Marquês de Sapucaí foram fechados com chave de ouro pela escola em questão, em 2018. Com uma crítica social que lhe valeu o título, com direito a uma encenação de corrupção e violência que despertou comoção no público que assistia, o enredo foi baseado nos 200 anos do romance "Frankenstein", de Mary Shelley.

A violência nas ruas do Rio de Janeiro, a corrupção na política e a intolerância foram alvos dessa grande catarse popular que a escola de Nilópolis levou à Sapucaí.

Pabllo Vittar e Jojo Toddynho foram destaques do carro alegórico chamado "O abandono",  sobre pesadelos da vida cotidiana no Brasil. A crítica apresentada foi contra a intolerância. Edson Celulari interpretou o próprio Dr. Victor Frankenstein, desfilando no carro abre-alas. Já a Claudia Raia foi destaque de chão, em mais um ano como madrinha.

Beija-Flor no carnaval 2019

Enredo da Beija-Flor em 2019
Divulgação
Enredo da Beija-Flor em 2019

A escola de samba desfila no carnaval carioca remetendo, a todo o tempo, a vários aspectos de seus desfiles de outros carnavais que marcaram a história da folia da academia com o decorrer de todos esses 70 anos. Imersa em nostalgia, a escola veste sua própria história no carnaval que se segue. Cada componente de suas alas e as fantasias utilizadas faz referência direta a algum momento da escola dentre a vasta experiência carnavalesca.

Algumas alas, já divulgadas pela escola de Nilópolis, trazem de volta elementos de desfiles que tiveram-na como campeã, como, por exemplo: “Jovem Flu” e “Karisma”, com fantasias que remetem diretamente o enredo Manôa, Manaus, Amazônia, Terra Santa: Alimenta o corpo, equilibra a alma e transmite a paz (2004).

Fantasia da Beija-Flor no carnaval 2019
Divulgação
Fantasia da Beija-Flor no carnaval 2019

 “Dos Cem” e “Amar É Viver”, com fantasias sobre o samba-enredo Macapaba - Equinócio solar . Viagens fantásticas ao meio do mundo (2008); “É nessa que eu vou” e “Cabulosos”, com trajes sobre o desfile de 1978, intitulado A criação do mundo na tradição nagô ; “Vamos Nessa” e “Signus”, que trazem à tona o enredo  A Grande Constelação de Estrelas Negras (1985) são outras alas que constituem a passagem da escola pelo carnaval 2019 .

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A escola de samba conta com a dançarina de samba e estudante de jornalismo Raissa de Oliveira como rainha de bateria no carnaval deste ano. Raissa ocupa o posto desde 2003, quando tinha doze anos e foi escolhida por meio de um concurso de TV. Já a madrinha é Cláudia Raia, que desfila pela escola há 30 anos, no carnaval carioca.

Cláudia Raia desfila pela Beija-Flor há 30 anos
Divulgação/Riotur
Cláudia Raia desfila pela Beija-Flor há 30 anos

Outro componente da família é o Neguinho da Beija-Flor , uma figura carimbada na folia. Detentor de cinco prêmios Tamborim de Ouro, sua trajetória é inspiradora, com direito a vitória sobre um câncer de intestino em 2015.