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Rei de bateria segue soberano em espaço dominado por mulheres

Daniel Manzioni será coroado nesta noite (21) na Acadêmicos do Tatuapé

Thiago Calil, especial para o iG Carnaval | 21/01/2012 19:16

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Foto: Divulgação Ampliar

Daniel Manzione, rei de bateria

Ele não usa costeiros enormes com penas de faisão, não aparece de tapa-sexo nem samba em sandálias de plataformas e salto de 15 centímetros. Daniel Manzioni, o primeiro rei de bateria do carnaval, se veste e se comporta diferente das rainhas, mas divide com elas na avenida o mesmo objetivo: abrir caminho para o coração da escola.

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Seu trabalho como rei começou em 2005, na escola Acadêmicos de São Paulo. “Como eu fui pioneiro, as pessoas não sabiam como um homem ia se portar em frente a uma bateria, se viria nu, se rebolaria muito”, conta o dançarino. Para ocupar o trono, era preciso vencer o preconceito e a desconfiança dentro das agremiações. “Principalmente os ritmistas e alguns diretores, que eram divergentes. Alguns gostavam e outros não”, lembra-se.

Hoje, Daniel não enfrenta mais a mesma dificuldade. Tanto que será coroado nesta noite (21) rei de bateria da Acadêmicos do Tatuapé, do Grupo de Acesso, ao lado da atriz Adriana Ferrari, madrinha dos ritmistas. “Tem muita mulher tocando nas baterias. Elas ficam na frente e querem ver uma figura masculina sambando ali”, explica.

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Foto: Divulgação Ampliar

Daniel Manzione se tornou rei de bateria em 2005 na escola Acadêmicos de São Paulo

Segundo o passista, apesar de não sofrer preconceito, ele ainda precisa encarar a rivalidade de algumas passistas. “Na Tatuapé, não tenho esse problema, mas acontece. E não tem nada a ver. Há espaço para o rei e para a rainha”, garante. Apesar disso, a glória para ele é quando o elogio vem de alguém do mesmo sexo. “Há homens heterossexuais que vêm elogiar o meu trabalho. Isso é o mais interessante para mim porque é o mais difícil”, justifica.

Foto: Divulgação Ampliar

Daniel Manzione é o rei da Acadêmicos do Tatuapé

Apesar de ser o único rei entre as principais agremiações do carnaval, Daniel Manzioni comemora a mudança de comportamento das pessoas sobre os passistas masculinos. “Antigamente, nas vinhetas da Globo, só podiam ir as passistas. Hoje já não é assim. E existem alguns reis em cidades do interior também”, garante.

Além da Tatuapé, o dançarino será destaque da Camisa Verde e Branco, sairá na frente da bateria da Combinados do Sapopemba e desfilará como destaque de carro alegórico na Império da Tijuca, no Rio de Janeiro.
 

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