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Filha do presidente da escola de samba paulista desfilará pela 6ª vez à frente da bateria e ao lado de Viviane Araújo, rainha da escola há 13 anos

Maria Eduarda de Aquino, ou simplesmente Dudinha, como é conhecida dentro da Mancha Verde, desfilará pela 8ª vez na escola que tem seu pai, Paulo Serdan, como presidente. Com apenas 14 anos, Duda Serdan é a rainha mirim da bateria e divide com nada mais, nada menos do que Viviane Araújo a responsabilidade de caminhar junto com os ritmistas durante o desfile.

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Maria Eduarda Serdan, a Duda, é rainha mirim da Mancha Verde
Reprodução/Instagram
Maria Eduarda Serdan, a Duda, é rainha mirim da Mancha Verde


Apesar de ter praticamente nascido dentro da Mancha Verde , Duda só foi desfilar pela primeira vez em 2012, quando tinha oito anos. “Desfilei no último carro com a ala das crianças e com a fantasia de perereca”, conta ela, que não lembra muito do desfile por conta da pouca idade. “Nesse ano desfilamos sete horas da manhã e como eu era criança, ainda estava com muito sono, mas no dia mesmo estava muito ansiosa, meu sonho era desfilar na Mancha”, completa.

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O primeiro desfile na frente da bateria aconteceu dois anos depois, mas o posto de rainha  não foi algo que tenha sido planejado, muito pelo contrário. Durante um churrasco com alguns componentes da escola, Duda Serdan perguntou para o pai se poderia virar rainha mirim da bateria. “Ele disse que eu deveria perguntar para os diretores da bateria e, obviamente, para a nossa rainha”. Foi isso que ela fez, sendo aprovada por todos, inclusive por Viviane Araújo . “Ela super concordou e disse a seguinte frase que usa até hoje ‘Enquanto eu for rainha da bateria, a bateria é nossa’ e cá estou até hoje, completamente apaixonada pela Puro Balanço [nome da batera da Mancha]”.

Seu primeiro ano à frente da “Puro Balanço” é visto por Duda como seu “xodó” no carnaval. “Eu falo que todos os anos são maravilhosos e importantes, porém, o de 2014 foi o início de tudo”, comenta. “Lembro que tinha muita vergonha no início, não gostava de ficar sozinha à frente da bateria, queria sempre alguma passista comigo e quando Vivi vinha para os ensaios, eu ficava muito feliz, me sentia acolhida e com a bateria sempre foi a mesma coisa. Eles sempre me trataram bem e com muito, muito carinho”, relembra.

Duda durante desfiles das campeãs em 2018
Divulgação/Mancha Verde
Duda durante desfiles das campeãs em 2018


A rainha mirim prefere não classificar as experiências dentro do carnaval como boas ou ruins. Para ela, tudo acaba virando uma lição. “Eu não guardo memórias ruins e sim as lições aprendidas pela nossa escola. E mesmo com as nossas duas quedas para o grupo de acesso, hoje a Mancha está no pódio, então no final das contas tudo valeu a pena”, acredita.

Com a família dentro do carnaval, Duda diz que não sofre com o ciúmes de ninguém: “Todos lá de casa babam em mim quando estou produzida, meu pai principalmente”, comenta. “Ele me apoia demais, converso sobre tudo com ele e ele sempre me mostra o melhor caminho”, continua. “Ele é o meu maior fã, é até engraçado quando ele vai na frente da bateria, os olhos dele brilham de orgulho e amor”.

Mancha Verde 2019

Maria Eduarda durante ensaio da Mancha Verde
Arquivo pessoal
Maria Eduarda durante ensaio da Mancha Verde


Com a aproximação do carnaval, Dudinha vem se aperfeiçoando no samba com algumas aulas. "Já tive duas professoras, a Gaby Vianna que era destaque de chão da Mancha e que me ajudou muito. E agora estou tendo aula com a Cintia Mello que é rainha do Tucuruvi e que está fazendo eu evoluir muito”, conta. “As duas acreditaram em mim. A Gaby quando estava bem no começo nunca deixou eu parar e nem desacreditar, sempre me apoiou. E agora, a Cintia, me dá muitos conselho de rainha e de pessoa também. Elas são minhas referências no carnaval, sem duvidas”.

A jovem também se inspira em Valleska Reis, rainha de bateria da Império de Casa Verde, Camila Silva, rainha de bateria do Vai Vai e Evelyn Bastos, Rainha de bateria da Mangueira. Tudo isso para ajudar a escola de samba paulista a cantar a história de uma princesa negra da África com o enredo "Oxalá, salve a princesa! A saga de uma guerreira negra".

Para o carnaval de 2019, além de uma Dudinha que vem mostrando a todos que cresceu, o que mais podemos esperar? “Uma nova Duda. Uma Duda dedicada, ainda mais apaixonada pelo meu pavilhão e pela minha bateria.

As rainhas da Mancha Verde

Duda e Viviane Araújo
Divulgação/Mancha Verde
Duda e Viviane Araújo


A grande inspiração de Duda? A “rainha das rainhas”, responde ela, referindo-se a Viviane Araújo, que está na Mancha há 13 anos. “Ela é maravilhosa, carismática e muito simpática, sou fã número um dela”, conta.

As duas conversam bastante e, quando o carnaval acaba, elas não conseguem se encontrar – enquanto Vivi mora no Rio de Janeiro, Duda volta para o interior de Minas, onde mora com a mãe -, mas elas estão sempre trocando mensagens. “Tenho um grande carinho por ela, até porque, ela me viu crescer”. Além disso, a rainha dá muitos conselhos e apoio. “Como ela fala, eu sou a Dudinha dela”.

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Duda está certa de que vive um grande momento, seu melhor no carnaval até hoje. “Estou me conhecendo no mundo do samba. Venho ao lado de uma grande referência e isso é gratificante. A Vivi será rainha até o dia que ela quiser e, depois, se minha comunidade e bateria me quiserem como rainha, estarei pronta para assumir”, finalizou a rainha mirim da Mancha Verde .

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