Escola da zona norte de São Paulo leva o grafite para a avenida, mas evita embate com a prefeitura: "não escolhemos esse tema pela polêmica"

Se o grafite não tem mais lugar nas ruas de São Paulo, ele será bem-vindo no Anhembi. A arte urbana será o tema do desfile da Acadêmicos do Tucuruvi , que desfila pelo grupo especial na primeira noite do carnaval paulistano, em 24 de fevereiro.

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A Acadêmicos do Tucuruvi terá o grafite como tema de seu desfile no carnaval paulistano deste ano
Arquivo pessoal/Renato Cipriano
A Acadêmicos do Tucuruvi terá o grafite como tema de seu desfile no carnaval paulistano deste ano

A escola da zona norte da capital paulista começou a trabalhar no tema em maio do ano passado. Falar sobre o grafite e outras artes urbanas foi uma ideia do neto do presidente da agremiação. "É uma maneira de homenagear essa forma de expressão, que é pacífica", explicou ao iG o carnavalesco Wagner Santos , um dos veteranos da Tucuruvi.

Na época em que o enredo foi escolhido, ninguém fazia ideia da proporção que o tema tomaria nos meses seguintes. Quando a prefeitura de São Paulo, sob a gestão de João Doria (PSDB), começou as ações do programa Cidade Linda, que apagou grafites e pixações em muros e prédios da cidade, tanto o carnavalesco quanto a comunidade ficaram preocupados. "A escola ficou surpresa com as ações do prefeito", confessou.

Longe das polêmicas

Apesar da fácil associação do tema do desfile ao momento que a cidade vive, o carnavalesco garante que a escolha não teve fundo político. "Não desenvolvemos esse tema por causa da polêmica", deixou claro Wagner Santos. Quando eles começaram a trabalhar no enredo deste ano, a gestão ainda era de Fernando Haddad (PT) e Doria sequer havia sido eleito.

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Mesmo percebendo as proporções que o tema tinha tomado e o que isso poderia trazer para o carnaval da Tucuruvi, ele diz que a escola nunca pensou em recuar. "Não pensamos em desistir, de forma alguma. O tema é atual, o mundo vive esse movimento urbano em que a periferia dá seu grito de alerta para dizer que eles existem", disse. "É uma forma de se expressar, é uma arte que vem sendo admirada e traz cada vez mais adeptos. Ninguém consegue calar a arte."

A Acadêmicos do Tucuruvi será a sexta escola a desfilar no primeiro dia do carnaval paulistano
Arquivo pessoal/Renato Cipriano
A Acadêmicos do Tucuruvi será a sexta escola a desfilar no primeiro dia do carnaval paulistano

Ao vivo

Para representar o grafite na avenida, a Acadêmicos do Tucuruvi irá levar grafiteiros para seu desfile. Eles finalizarão ao vivo alguns desenhos que deixaram preparados nos carros alegóricos. "Eles se sentiram honrados com essa homenagem. É uma grande satisfação para nós, estamos conhecendo grandes nomes do grafite", disse Wagner. Além dos grafiteiros, outros artistas urbanos estarão no desfile,  como dançarinos, contorcionistas e membros do Circo Stankowich.

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Um dos pontos altos do desfile é a réplica de uma das obras que estava exposta na Avenida 23 de Maio, na zona sul da capital, que foi apagada pela prefeitura. Para Wagner Santos, os grafites deveriam ter um lugar próprio para serem expostos. "Os trabalhos deveriam estar em locais legalizados", disse. "O prefeito não deixa de ter sua razão."

Fugindo de polêmicas, a Acadêmicos do Tucuruvi espera que o grafite ajude a escola a levar para casa o título inédito do carnaval paulistano. "O título só acontece quando a comunidade quer e eles querem", garantiu Wagner Santos.

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