Tradicional escola da zona leste volta à elite do carnaval de São Paulo com um desfile luxuoso e 4 mil integrantes empolgadíssimos

Um desfile bonito, rico, com emoção, ousadia e comprometimento dos carnavalescos marcou a volta da Nenê de Vila Matilde para o trono das escolas de São Paulo, depois de ser campeã do acesso em 2012.

A luta pela igualdade foi o tema escolhido pela escola da zonaleste. Na avenida com 4 mil integrantes, a Nenê desfilou fantasias luxuosas, que aparentavam ter mais pedras e brilhos do que a média, e muitas fantasias diminutas. A parte de cima do figurino de Lorena Bueri , a Gata do Paulistão 2012, era um maxicolar em volta do pescoço. Cobrindo os seios, nada. Mas como ela estava podendo, vamos colocar toda a sua peladice na conta do carnaval.

Adriana Bombom , musa da escola, estava vestida de anjo no que representava ser o embate do bem contra o mal. A rainha de bateria  Deborah Caetano  desfilou como uma diaba devassa, com uma fantasia que também cobria muito pouco. A escola, que tem 64 anos, tem o mérito de ter uma bateria que foi nota 10 ao longo de 26 carnavais consecutivos.

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Sob a direção do carnavalesco Eduardo Caetano, o ponto de partida do desfile foi a revolta dos búzios, que aconteceu na Bahia no século 18 contra a coroa portuguesa, considerada a primeira revolta social brasileira. Se seguiram várias outras alas e carros representando lutas que buscaram a igualdade no Brasil, como o fim da escravidão, e aquelas que seguem até os dias de hoje: reforma agrária, luta pela moradia, educação para todos, igualdade racial e respeito aos mais velhos. 

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A ala das baianas representava as próprias baianas, que na época da corte trabalhavam nas casas ricas e usavam de segunda mão as roupas de suas patroas. O desfile impressionou, mas teve um momento de tensão na entrada do terceiro carro. Ele ameaçou atrasar e provocar um buraco no desfile, o que prejudicaria a avaliação da escola. Mas, felizmente, isso não aconteceu. 

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Veja o samba-enredo da Nenê de Vila Matilde:

“Da revolta dos búzios à atualidade: A Nenê canta a igualdade!”
Compositores: Cláudio Russo, J. Veloso, Marquinhos, Ney do Cavaco e Medina

Chegou, chegou no templo do samba
O gueto da gente, a mais querida
No coração Matildense
Nenê é minha Águia, minha vida...
Quando a igualdade não havia
A Revolta foi a via
Contra a força da opressão
Uma voz se ergueu outras mais então
Movimento que surgia...
Salve o povo da Bahia!
Sei que a rebeldia que trago no peito
Tenho direito de eternizar
O canto libertário que se espalha pelo ar
Lutar, acreditar, sonhar... Ser mais Brasil
Criar a pátria amada mãe gentil
Há nos búzios a mensagem de cada irmão
No quilombo novos ares, libertação
Em Canudos, Conselheiro e a sua fé
Cabanagem no Pará, na Nenê samba no pé
Vai o baticum do Olodum no pelourinho
Um só coração, um só caminho
Canto à igualdade, levo à união
Venço toda a discriminação
Sonhei que a terra é do agricultor
Cidadão encontrou o abrigo do lar
Eu vi a força unificando a luta sindical
Mulheres defendendo um ideal
De volta ao seu lugar, a Zona Leste incendeia
O Anhembi vai levantar
A minha Vila tem sangue na veia

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