Beija-Flor inovou, Salgueiro cativou e a Mocidade Independente impressionou. Mas o carnaval de 2017 será lembrado pelos diversos acidentes na avenida envolvendo carros alegóricos das agremiações

Desfiles luxuosos, sambas encantadores, musas espetaculares e inovação foram destaques na Marquês de Sapucaí nos dois dias de desfiles das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro, mas inegavelmente o fato que mais marca o carnaval carioca em 2017 é a (falta) de segurança do espetáculo.

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Destaque da Mocidade Independente de Padre Miguel
Riotur/divulgação
Destaque da Mocidade Independente de Padre Miguel

Acidentes de variadas proporções nos desfiles da Paraíso do Tuiuti, Mocidade Independente de Padre Miguel, União da Ilha do Governador e Unidos da Tijuca colocaram em xeque as medidas de segurança adotadas pelas escolas e pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).

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Uma das maiores expressões culturais do País, o carnaval do Rio de Janeiro fez jus à fama. Da divina comédia de Dante a Ivete Sangalo, passando por Aladdin e as origens da música negra, as 12 escolas do grupo especial proporcionaram o espetáculo cultural que delas se esperava.

Primeira escola a pisar na avenida, a Paraíso do Tuiuti levou para a Sapucaí o enredo “Carnavaleidoscópio Tropifágico”. A escola trouxe alegorias e fantasias dignas de uma agremiação que tem o desejo de permanecer no Grupo Especial, mas o acidente com o último carro, ainda no Setor 1, onde oito pessoas ficaram imprensadas contra a grade acabou comprometendo o desfile em outros quesitos, principalmente em evolução.

Ivete Sangalo fez bonito na Sapucaí
Gabriel Monteiro | Riotur
Ivete Sangalo fez bonito na Sapucaí

Não deu samba

A música foi a matéria-prima dos desfiles de duas tradicionais escolas da zona norte e Michael Jackson apareceu tanto na Unidos de Vila Isabel como na Unidos da Tijuca, que também levou Rihanna, Madonna e Beyoncé para  avenida. No entanto, seja pela decepcionante plasticidade das alegorias e alas da Vila Isabel ou pelos problemas de evolução e harmonia da Unidos da Tijuca, as duas escolas não empolgaram.

Com o enredo "Nzara Ndembu - Glória ao Senhor Tempo", a União da Ilha contou as relações do tempo com o universo desde o princípio, além de fazer uma reflexão poética sobre a relação da humanidade com o passado, o presente e o futuro e com a mística africana.

O quinto carro, que representou as divindades do fogo, demorou para entrar na avenida por problemas mecânicos e deve custar pontos à escola no quesito evolução.

A União da Ilha também sofreu revezes ao longo de seu desfile na Sapucaí
Riotur/divulgação
A União da Ilha também sofreu revezes ao longo de seu desfile na Sapucaí

Bispos de sempre

Quatro escolas nem sequer haviam terminado seus desfiles e já despontaram como favoritas ao título. A primeira delas foi o Salgueiro, quinta a cruzar a avenida, com “A Divina Comédia” de Dante Alighieri. Uma comissão de frente de meduzas, um samba encantador e Viviane Araújo mais rainha do que nunca devem assegurar a vermelha e branca em seu décimo desfile das campeãs consecutivo.

Outra certeza é a Beija-Flor, que inovou ao abolir o conceito de alas em seu desfile, uma ópera em movimento. Revivendo o romance ‘Iracema’, de José de Alencar, a agremiação impressionou pela grandiosidade das alegorias e pela expressividade das figuras indígenas que levou para a Sapucaí. O samba também foi um dos pontos fortes da escola de Nilópolis.

Tapete voador encanta no desfile da Mocidade Independente
Riotur/divulgação
Tapete voador encanta no desfile da Mocidade Independente

Na segunda-feira, dia que tradicionalmente oferta a campeã do carnaval carioca, teve a Mocidade Independente de Padre Miguel levando o público ao delírio com um tapete voador. Assim como o Salgueiro, a escola levou um conto para a avenida. De “As Mil e Uma Noites”, a escola de Padre Miguel viajou pela excentricidade do Marrocos. “Abre-te Sésamo que o samba ordenou”.  Empolgou o público, com direito até a coreografia da bateria.

Já a Portela contou novamente com o engenho e criatividade de Paulo Barros, mais uma vez como carnavalesco e diretor de samba da escola. A escola de Madureira celebrou lendas e povos que surgiram às margens dos rios de água doce ao longo da história da humanidade. O enredo da escola fez um mergulho poético, que alegrou e emocionou a multidão que acompanha os desfiles na Marquês de Sapucaí .

Mais uma vez Paulo Barros saiu consagrado da Sapucaí ao transformar a avenida em um imenso rio.

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Todos os olhos em Ivete

Integrante da comissão de frente da Unidos da Tijuca
Riotur/divulgação
Integrante da comissão de frente da Unidos da Tijuca

Já no desfile da Grande Rio, tudo e todos buscavam um só norte e ele atendia pelo nome de Ivete Sangalo. A baiana virou samba-enredo e se multiplicou na passarela do samba. A cantora surgiu na comissão de frente e depois correu para surgir novamente no último carro alegórico. A Grande Rio, com muitas musas e globais, pode colher bons frutos de ter apostado suas fichas no carisma de Ivete Sangalo.

A Imperatriz Leopoldinense, por seu turno, reverenciou o Parque do Xingu, lembrando de sua fundação. Falou de índio antes da Beija-Flor entrar na avenida, mas o desfile de escola de Nilópolis colocou a apresentação tecnicamente vistosa da Imperatriz em perspectiva.

Para benzer o carnaval

A exemplo do que aconteceu em 2016, quando foi campeã, a Mangueira encerrou o carnaval carioca. A verde e rosa levou para a Sapucaí o enredo "Só com a ajuda do santo" para refletir sobre a fé do brasileiro que recorre aos santos, orixás e patuás em caso de aperto ou necessidade.  

A Mangueira desfilou com a elegância e espertise que se espera de uma das mais tradicionais escolas do Rio de Janeiro, mas não empolgou a Sapucaí como fizera em 2016.

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