Salgueiro entra na avenida para agitar público com desfile grandioso sobre o mais profundo sentido do carnaval: o clássico italiano de Dante Alighieri

Dizem que a morte não se atrasa, mas ninguém falou nada sobre a pontualidade do demônio. Na madrugada desta segunda-feira (27), com alguns minutinhos de atraso, a Salgueiro mostrou que o diabo pode até atrasar, mas que sabe esquentar a avenida como ninguém.

Leia mais: Ivete Sangalo faz "maratona" na Sapucaí, brilha e é ovacionada pelo público

Salgueiro entra na avenida mostrando o
Reprodução/TV Globo
Salgueiro entra na avenida mostrando o "lado bom" do inferno


Com um desfile diabólico, a Salgueiro entrou na avenida com alguns minutinhos de atraso devido a uma limpeza que a Sapucaí teve que passar. No entanto, depois de entrar, a escola desfilou imponente e "assustando" a concorrência.

Viviane Araújo, como sempre, puxou a bateria da escola na Marquês de Sapucaí. Hélio Bejani, criador da comissão de frente da agremiação, já está há dez anos desempenhando a função e esse ano não ficou atrás com uma alegoria que impactou logo ao entrar na avenida.

Boneco do demônio na comissão de frente tem expressões e é todo articulado
Reprodução/TV Globo
Boneco do demônio na comissão de frente tem expressões e é todo articulado

Leia mais: Imperatriz Leopoldinense faz desfile emocionante pedindo justiça no Xingu

Em uma tentativa de conquistar mais um título no Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro, a agremiação "tingiu a avenida de vermelho" com um abre-alas que evoca o inferno e a punição divina.

Com um enredo inspirado no livro “A Divina Comédia” de Dante Alighieri, a Salgueiro preparou um enredo que liga a tradicional festa às passagens emblemáticas do livro. A escola trabalhou em segredo a maior parte do tempo para não entregar detalhes do desfile e manter o suspense sobre os carros grandiosos que iriam invadir a avenida na madrugada.

O resultado de tanto trabalho foi divino. Ou melhor, infernal. Nunca se viu tantos demônios na avenida, quanto nesta madrugada. Com dragões, medusas, arlequins demoníacos e esqueletos, a escola arrepiou o público.

Salgueiro fala sobre o inferno de Dante chega na avenida com vários
Reprodução/TV Globo
Salgueiro fala sobre o inferno de Dante chega na avenida com vários "diabinhos"



Inferno, no entanto, não é para sempre

Com o passar das alas, porém, o livro de Dante foi servindo de base para um carnaval cada vez mais iluminado.

Desfile mesclou do vermelho ao branco no final da passagem da Salgueiro pela Sapucaí
Divulgação/Riotur
Desfile mesclou do vermelho ao branco no final da passagem da Salgueiro pela Sapucaí

Após as alas que representaram os pecados capitais, o anjo da purificação deu outro tom ao desfile, que passou a caminhar em direção ao paraíso, com coras vivas, além de fantasias rosas e brancas.

As últimas alas, que representavam o paraíso, tinha base branca. As baianas vieram como neve, com detalhes em vermelho, remetendo à bandeira da escola.

Leia mais: Vila Isabel mostra riqueza cultural e influência dos negros em ritmos musicais

Como se o paraíso fosse a própria Salgueiro, o último carro ilustra o firmamento. Com muito branco, a bandeira da escola foi balançada ao lado da velha-guarda da agremiação. Todo o desfile, no entanto, contou com o amor dos integrantes pela escola que, de tão animados, cantavam quase tão alto quanto os puxadores do samba.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.