Com enredo polêmico e de tom politizado, Imperatriz Leopoldinense desfilou dando um grito pela justiça com os índios e pela preservação da natureza

A Imperatriz Leopoldinense foi a terceira escola a preencher o sambódromo da Sapucaí com seu enredo na madrugada desta segunda-feira (27). E não fez nada feio. Ao contrário, o desfile da escola foi emocionante e uma dos mais bonitos de se ver. Coisa "pra gringo ver" e para brasileiro repensar.

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Festa da Imperatriz Leopoldinense fugiu da polêmica e trouxe festa com crítica necessária à avenida
Divulgação/Riotur
Festa da Imperatriz Leopoldinense fugiu da polêmica e trouxe festa com crítica necessária à avenida



Isso porque a Imperatriz Leopoldinense desfilou em homenagem ao Xingu . A festa trouxe elementos da natureza, da fauna e da flora brasileira, além deles, os reis do carnaval da Imperatriz: os índios.

Teve de tudo. Desde os índios de verdade até os brancos fantasiados de índios, passando por brasileiros que têm tudo para ter descendência indígena – mas que nem sempre sabem se têm.  

Apesar de necessário, o enredo criou polêmica, isso porque provocou os setores do agronegócio – que divulgaram nota de repúdio contra a escola carioca, devido a trechos do samba que citam o desmatamento e a exploração desenfreada dos recursos naturais da região.

Apesar de sério, o samba-enredo, que clama por justiça e critica o abuso e o descaso com que os povos indígenas do Xingu são tratados, abordou o tema de maneira leve e com um embalo que conquistou o público. 

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A Imperatriz, portanto, deixou claro que não se assustou com as críticas e ameaças do agronegócio. 

Destaques do desfile

Comissão de frente da Imperatriz Leopoldinense trouxe índios que se transformavam em gaviões
Reprodução/TV Globo
Comissão de frente da Imperatriz Leopoldinense trouxe índios que se transformavam em gaviões

Assim como pássaros que defendem seus ninhos, os dançarinos que fizeram parte da comissão de frente da Imperatriz dançaram – fantasiados de índios que se transformavam em gaviões – protegendo a gigante oca que os acompanhava.

Em determinados momentos da coreografia, alguns desses índios se uniam à oca, que se abria, revelando a coroa da Imperatriz Leopoldina, símbolo da escola. Esses foram os grandes voos dos gaviões.

Lideranças do Xingu vieram em um dos carros da escola
Reprodução/TV Globo
Lideranças do Xingu vieram em um dos carros da escola

Outro destaque do desfile foi a participação de índios de verdade, que prestigiaram a homenagem. O desfile contou, inclusive, com um pajé de 102 anos que veio como destaque no segundo carro da escola. 

A agremiação contou com a deslumbrante Luiza Brunet, que desfilou no chão. Outra musa é a rainha da bateria Cris Vianna, que desfilou pela última vez pela escola, se despedindo da Imperatriz, escola da qual faz parte há anos. 

Cris Vianna se despediu do carnaval da escola neste ano, fazendo seu último desfile como rainha da bateria
Divulgação/Riotur
Cris Vianna se despediu do carnaval da escola neste ano, fazendo seu último desfile como rainha da bateria

"Eu saio hoje com um sentimento de muita gratidão. É muita gratidão pelo carnaval", disse ela em entrevista à Rede Globo , logo após o desfile de despedida.

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Outra pessoa que deu entrevista à televisão foi um dos indígenas, que afirmou, em tupi-guarani, que "é uma experiência muito boa" desfilar na Sapucaí e que essa foi "a primeira vez que os brancos lembraram" dos seus parentes, o que o deixou muito feliz.

Os irmãos Villas-Bôas também foram homenageados pela Imperatriz Leopoldina, graças à missão Xingu.

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