Considerada uma das maiores vencedoras de todos os tempos, a Beija-Flor revolucionou o carnaval e já se envolveu em escândalos ao longo dos anos

Desfiles grandiosos, luxo transbordante e coreografias que são um show por si só: a Beija-Flor criou diversos conceitos na avenida que hoje são praticamente sinônimos de carnaval. A escola fundada em 1948 fez história e revolucionou os desfiles no sambódromo. Hoje ela se consagra como um dos maiores nomes da festa popular e ocupa o posto de maior vencedora de títulos da “era do sambódromo” do carnaval.

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Beija-Flor: entre desfiles grandiosos cercados de luxo, a escola também já se envolveu em polêmicas
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Beija-Flor: entre desfiles grandiosos cercados de luxo, a escola também já se envolveu em polêmicas


História

Quem diria que há 68 anos, no dia 25 de dezembro, nasceria uma das maiores lendas do carnaval carioca? Milton de Oliveira, o Negão da Cuíca, em conjunto com Martje F., Edson Vieira Rodrigues, Helles Ferreira da Silva, Mário Silva, Walter da Silva, José Fernandes da Silva e Hamilton Floriano, criou a escola de samba derivada de um bloco de rua. O nome do grupo, contudo, só viria mais tarde quando Dona Eulália, mãe de Negão da Cuíca, sugeriu que chamassem a agremiação recém-concebida de Beija-Flor .

Desde seu nascimento a escola colecionou títulos, mas também algumas derrotas e chegou a ser rebaixada para divisões inferiores do carnaval. Contudo, a partir de 1974, a Beija-Flor ganharia força e começaria a brilhar no grupo especial de desfiles onde se encontras até os dias de hoje e se consagrou nos meios popular e artístico.

Um novo olhar

Em 1976 a escola de samba entraria em um novo patamar no desenvolvimento artístico de seus desfiles: o carnavalesco Joãosinho Trinta torna-se o diretor da azul e branca e, assim, inaugura um novo conceito na avenida. Logo em seu primeiro ano à frente da Beija-Flor, Joãosinho preparou um desfile sobre o jogo do bicho, mas foi em 1989 que o carnavalesco criou o enredo que mais marcaria sua carreira: “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”.

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Em 1989, Joãosinho Trinta marcou a história da Beija-Flor com o enredo
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Em 1989, Joãosinho Trinta marcou a história da Beija-Flor com o enredo "Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia"

Depois de estabelecer um padrão altamente luxuoso e grandioso, ele rompeu com o novo conceito de carnaval que ele mesmo havia estabelecido para a festa e trouxe a miséria para o centro das atenções na avenida. A maior polêmica do caso aconteceu quando Joãosinho incluiu uma alegoria com uma reprodução do Cristo Redentor, mas seu uso foi vetado pela igreja. Mesmo assim, ele não desistiu da ideia e trouxe a figura coberta por uma lona preta para avenida com os dizeres “mesmo proibido, olhai por nós!”. Esse enredo entraria para a história do carnaval por ser considerado como uma provocação a sociedade, como um todo.

O esmero e a dimensão que os desfiles das escolas de samba têm atualmente são, em grande parte, fruto do padrão inaugurado por Joãosinho Trinta no período em que esteve no comando da Beija-Flor de Nilópolis. Com seus enredos ousados e montagens mirabolantes na avenida, a escola ganhou cinco vezes o primeiro lugar – sendo que três foram seguidos. Joãosinho deixou a agremiação em 1992.

Escola de ouro

Desde que ingressou no grupo especial, a Beija-Flor é quase sempre vista como uma das favoritas para levar o prêmio final: e não é por menos, em 43 anos, a escola ficou 13 vezes em primeiro lugar e outras 12 em segundo lugar, totalizando 25 conquistas ao longo do tempo. Sidney Rezende , jornalista especializado em carnaval, aponta que a “magia da Beija-Flor” é fruto de muito esforço, trabalho e dedicação contínuos para atingir tais níveis de excelência na avenida. “É louvável esta dedicação ao ofício”, comentou o jornalista em entrevista ao Portal iG .


Polêmicas

Em 2015 a Beija-Flor foi acusada de receber patrocínio do ditador da Guiné Equatorial para realizar o desfile
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Em 2015 a Beija-Flor foi acusada de receber patrocínio do ditador da Guiné Equatorial para realizar o desfile

Apesar de todos os anos apresentar um alto padrão nos seus desfiles – que são praticamente impecáveis – a Beija-Flor já se envolveu em polêmicas e escândalos que abalaram seu posto no carnaval. Em 2007, o presidente da escola, Anísio Abraão David, foi acusado pela Polícia Federal de comprar os jurados da festa naquele ano, em que a escola havia ficado em primeiro lugar. Entretanto, a fraude nunca foi comprovada oficialmente e o caso foi deixado de lado.

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Em 2015 a escola voltaria a ser alvo de críticas em decorrência de um suposto patrocínio do ditador da Guiné Equatorial. O enredo “Um Griô Conta a História: Um Olhar Sobre a África e o Despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos Sobre a Trilha da Nossa Felicidade” teria sido comprado pelo ditador e, mesmo com os rumores, a escola levou o primeiro lugar. No ano seguinte a Beija-Flor amargou a derrota e ficou em 5º lugar e membros da escola acusaram que havia um esquema entre os jurados para prejudica-los nas notas.