Escola da zona sul faz desfile em homenagem às novelas, mas é prejudicada por fraco samba-enredo

Escola de Botafogo – única representante da Zona Sul da cidade na elite –, a São Clemente elegeu um enredo fácil: “Horário Nobre (das 8 ou das 9, é sempre 10)”. Fácil no sentido de estabelecer uma direta identificação com o público – afinal, quem nunca acompanhou uma novela? 

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Mas não deixa de ser um tema batido e, em certa medida, subserviente à Rede Globo, uma das maiores produtoras desse tipo de entretenimento no mundo. Além disso, é a emissora responsável pela transmissão do carnaval. O enredo ainda abriu portas para a presença de artistas populares ou nem tanto como destaques (como se muitos deles precisassem de incentivo para mostrar a cara na avenida).

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Como sempre, é na forma de contar o enredo que reside o mérito. Foi divertido, apenas: um desfilar sem fim de viúvas porcinas, sinhozinhos maltas, donas redondas, odetes roitmans, perpétuas, tietas, carminhas, ninas e sabe-se lá quem mais.

A bateria veio de Crô, personagem gay interpretado pelo ator Marcelo Serrado. Engraçado ver o ritmista do surdo – geralmente um sujeito assustador, com as mãos às vezes sangrando – vestido de rosa, peruca e oclinhos vermelhos.

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Da bateria dos mestres Gilberto Almeida e Caliquinho surgiu a maior novidade: uma “paradona” na hora do refrão do meio do samba-enredo, na qual até os puxadores pararam de cantar, deixando audível apenas o coro dos componentes. A ousadia, bem ensaiada, funcionou.

A lamentar, o fraco samba-enredo. É de se perguntar por que foi preciso sete compositores para produzir tal obviedade? A evolução também deixou a desejar, com espaçamentos entre alas e alegorias.

Mais uma vez, a São Clemente – que há anos vive na gangorra do sobe e desce – lutou para permanecer no grupo das grandes. Pode até ser.

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