Escola inova ao dividir os ritmistas, fazendo combinação digna do campeonato se o único quesito analisado fosse a bateria; peca por falta de ousadia e por ter estourado o tempo

A Mangueira apresentou um típico “enredo CEP”. No jargão carnavalesco, ocorre quando uma cidade, um Estado ou mesmo país pagam para ser retratados (há muitos desse tipo na temporada de 2013).

No caso, a tradicionalíssima Estação Primeira – que já foi modelo de captação inteligente de recursos e atualmente amarga grave crise administrativa e financeira – teve de contentar-se com Cuiabá, capital de Mato Grosso, cuja prefeitura liberou uma grana em torno de R$ 3,6 milhões, na esperança de promover-se até internacionalmente – o desfile normalmente é transmitido para mais de 100 países. 

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Tivemos dois desfiles, ou dois momentos de desfile. O primeiro contou o enredo propriamente dito: as belezas naturais, manifestações culturais, a fauna do Pantanal e um grande trem (como carnavalesco gosta de trem!). Na comissão de frente, uma homenagem ao eterno mestre-sala Delegado, baluarte da escola morto no ano passado.

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Houve também a lembrança de Jamelão, maior puxador – embora ele só admitisse ser chamado de “intérprete” – do carnaval carioca que, se vivo, completaria 100 anos. Um desfile bem tradicional, certinho, com adereços e alegorias bem arrumados, prestigiando as cores mangueirenses. No entanto, carente de grandes novidades.

Estas ficaram todas reservadas para a bateria, o outro momento, quase outro desfile dentro do desfile. Como se sabe, o campo de maior experimentação nas escolas é o setor do ritmo. Paradoxalmente, é ali também que existe maior tradição. Os mais antigos garantem que, até as décadas de 1950 e 1960, era possível saber qual agremiação se apresentava na avenida apenas pelo som de sua bateria.

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A da Mangueira é conhecida por não se utilizar do surdo de segunda, ou seja, faz uma marcação sem resposta. Daí ser chamada de Surdo 1.

Pois neste ano, pela primeira vez na história do carnaval, uma escola desfilou com duas baterias, uma ideia do presidente Ivo Meirelles. De um lado, 250 ritmistas vestidos de rosa; de outro, 250 vestidos de verde. Em frente ao setor dos jurados, uma tocava e a outra brincava; a um sinal luminoso, invertiam os papéis. Um espetáculo que levantou as arquibancadas.

Pena que o julgamento não tenha apenas um quesito: bateria. Se fosse assim, a Mangueira ganharia fácil o campeonato. Para complicar, ainda estourou o tempo do desfile.

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