Escola passou compacta e valeu-se da garra de seus componentes; a destoar, apenas o samba-enredo monocórdico

Mais uma vez, mostrou-se um enredo complicado: simplesmente a palavra “Fama”, apresentado pelo Salgueiro . Na verdade um disfarce para o verdadeiro assunto, que é a revista de famosos e celebridades “Caras” (não nominada porque o regulamento proíbe).

O dinheiro do patrocínio – cerca de R$ 5 milhões – foi captado via Lei Rouanet. Uma ousadia – para não dizer outra coisa – vinda de uma escola de samba cujos participantes e torcedores se orgulham de ter sido a primeira a levar para a avenida, na década de 1960, inéditos temas relacionados aos negros, numa revolução comandada por Fernando Pamplona, conhecido no cenário carioca como “o pai de todos” os carnavalescos.

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Missão difícil. Mas nada é impossível para uma agremiação que tem como lema a frase “Nem melhor nem pior, apenas diferente”. E que tem, sobretudo, a dupla Renato e Márcia Lage no comando de carnaval. Experientes e criativos, ambos fizeram um desfile rico, colorido, inventivo e leve, para acompanhar o ritmo da escola que, como sempre, passou batida e compacta, valendo-se da garra de seus componentes.

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A destoar, o samba-enredo monocórdico – mais atrapalhou que ajudou. Curiosa foi a presença de uma bateria “fictícia”, em silêncio, uma homenagem a mestre Louro. A verdadeira, de mestre Marcão, não comprometeu.

Sempre que possível, a abordagem do enredo foi autocrítica. Como no Carro do Photoshopping, com narizes, bocas e caras retocadas – e à venda. Ou na letra do samba-enredo: “Se vacilar, cair na rede, vão criticar.../ O que é que tem?/ Vida de celebridade é um vai e vem”. Certo, só que escola de samba tradicional como o Salgueiro não pode ficar na gangorra. A escola manteve o nível alto. Vai brigar pelo campeonato.

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