Escola de samba carioca que fechou o primeiro dia de desfiles na Sapucaí na madrugada desta segunda-feira (11) contagiou o público com enredo homenageando Madureira

O grande trunfo da Portela foram dois, previamente sabidos:

1. A eleição do enredo, que homenageou o bairro de Madureira, celeiro de sambistas e reduto popular das tradições suburbanas que está completando 400 anos. A princípio, a direção da escola pensara em reeditar um tema de 1971, “Lapa em três tempos”. Mas, à última hora, o prefeito Eduardo Paes , que se diz portelense de carteirinha, sugeriu a mudança de lugar, da Lapa para Madureira. Junto, teria vindo uma verba extra dos cofres públicos.

2. Esta, sim, uma vantagem genuína: o esplêndido samba-enredo “Madureira... Onde meu coração se deixou levar”, de Wanderley Monteiro , Luiz Carlos Máximo , Toninho Nascimento e André do Posto 7 , que recebeu elogios de ninguém menos que Paulinho da Viola . Não só: conseguiu o fenômeno de ser cantado antes pelas ruas do Rio, o que só acontecia nos carnavais do passado. Na avenida não foi diferente, com as arquibancadas, frisas e camarotes entoando em coro a forte melodia.

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Foi assim durante o desfile inteiro, numa reedição dos tempos de glória da carinhosamente chamada Majestade do Samba. O carro da águia, símbolo da escola, mostrou traços indígenas, remetendo ao enredo “Lendas e mistérios da Amazônia”, de 1970. O enredo também tratou do famoso Mercadão de Madureira, com suas lojas de macumba, o basquete de rua disputado embaixo do Viaduto Negrão de Lima, dos bailes de funk e charme que balançam o bairro, e do jongo da Serrinha.

A bateria deu um susto nos torcedores da azul-e-branca. Os ritmistas vieram de vermelho e branco, como pode? É que representavam a entidade Zé Pelintra, de terno e gravata. Outra saudável novidade foi a alegoria que, deixando de lado antigas rivalidades, fez um tributo ao vizinho Império Serrano.

Vendo a cara de felicidade de Paulinho da Viola – aos 70 anos, o principal destaque da escola – tem-se a certeza de que a Portela abriu a roda e levantou poeira na avenida. Está no páreo, sim senhor.

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