À frente da bateria da Acadêmicos do Tucuruvi, Nadege Delduque diz não se importar com críticas a seu corpo

Se bom humor e ironia fossem quesitos na apuração de pontos das escolas de samba, a rainha de bateria da Acadêmicos do Tucuruvi, Nadege Delduque , já teria nota dez garantida. Entre piadas, fotos e muita risada, a analista de recursos humanos conta que até sua posição no posto surgiu de uma brincadeira.

Minha escola está tão perfeita, que se for campeã, eu esqueço minha fantasia em casa e vou pelada”

Depois de desfilar seis anos pela Camisa Verde e Branco, Nadege estava em seu segundo ano fora do carnaval quando conheceu seu marido, Rodrigo Delduque , diretor de barracão e integrante da comissão de carnaval da Acadêmicos da Tucuruvi.

Com a união, a rainha deixou o coração totalmente na quadra da Tucuruvi, embora seu Jamil , presidente da agremiação, sempre brincasse que ela seguia Camisa Verde e Branco. "Ele falava para meu filho: 'você pode ser Tucuruvi, mas sua mãe é Camisa'. E eu falei: 'não sou mais Camisa, hoje sou Tucuruvi. Não só sou Tucuruvi como ainda vou ser rainha da bateria. Surgiu de uma brincadeira, aí ele fez o convite e eu fui", relembrou ela, mãe de Pietro, 6 anos, e Manuella, 3.

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Nadege ainda faz questão de afirmar que deve o posto a seu marido. "Foi ele quem me apresentou para o Tucuruvi. Se sou rainha é por conta dele, que me deu o maior apoio. Porque para ele, não é fácil. É difícil para um homem, né? Ver a mulher sambando na frente de 300 homens logo atrás, os homens olhando. Difícil, né?"

Nadege Delduque
André Giorgi
Nadege Delduque

Medo na avenida

Em conversa com o iG , Nadege admitiu seu maior medo na hora de entrar na avenida. "Atrapalhar a escola. Cair é normal, você cai e levanta. Se quebrar um salto ou a fantasia, você vem segurando. Vai pelada se não tiver jeito... Mas meu maior medo é atrapalhar alguma coisa e fazer a escola se prejudicar por um erro meu", afirmou.

Ela disse nunca ter passado por nenhum perrengue na avenida, mas mostrou que, caso aconteça, vai tirar de letra. "Tomara que nunca aconteça, né, amiga? Mas também, se cair, levanto, mando beijo, venho rastejando que nem cobra, faço um passo diferente. Venho louca na avenida, mas venho."

Não vejo a hora de acabar o carnaval”

Musa do carnaval

Aos 31 anos de idade, Nadege cresceu assistindo Valéria Valenssa brilhar na TV como a Globeleza. A rainha de bateria tem a estrela como sua musa do carnaval. "Por mais que ela não esteja mais no carnaval, foi ela que começou essa coisa de sensualidade no carnaval. Antigamente não tinha muito isso. Acho que a Valéria fez toda a diferença. Abriu portas para as meninas do carnaval seguirem na mídia."

Na contramão

Diferentemente de muitas rainhas e musas de escolas de samba, Nadege não tem nenhuma preparação específica para o carnaval, embora tenha tentado iniciar a dieta Dukan. "Ela é boa? Sim. Mas não para mim, que estou sambando aqui como louca. Chegou no ensaio aqui e quase desmaiei. Me deu uma tontura, tontura.... Só comer proteína, sem carboidrato, não dá".

Apesar da tentativa, Nadege conta que, mesmo nos minutos antes de pisar na avenida, não segura a alimentação. "Se estiver com vontade de comer, como mesmo."

Já na hora de malhar, a rainha de bateria admite: "Sou bem preguiçosa para academia." Ainda assim, disse fazer um treino mais intensificado para as pernas. Muito menos pela estética. "Mais por causa do samba mesmo. Automaticamente você acaba forçando mais", contou.

Nadege Delduque
André Giorgi
Nadege Delduque

Nadege disse ainda não se preocupar com aqueles flagras de gordurinha ou celulite que costumam fazer parte dos cliques dos fotógrafos. Muito menos dos comentários que surgem a seguir. "Sou mulher, mulher tem estria, celulite, barriga, culote. Não me preocupo porque todo mundo tem celulite. Até bebezinho quando nasce. É tão normal ter celulite ou estar mais cheinha aqui ou ali. Mesmo que você esteja perfeita, você sempre vai desagradar em alguma coisa. Nunca você vai agradar 100%. E as pessoas rotulam tanto que a rainha de bateria tem que ser magra, negra, bonita, que já está ficando uma coisa chata."

As pessoas rotulam tanto que a rainha de bateria tem que ser magra, negra, bonita, que já está ficando uma coisa chata".

Para ela, o que interessa não são suas características físicas e, sim, sua paixão pelo carnaval. "É a festa popular do povo. Então tanto faz ser branco, negro, japonês, gordo, magro, alto, baixo, não interfere. Se você tem o samba dentro de você, isso já basta."

Ritual

Se para o físico Nadege não tem grandes preocupações, isso não vale para a mente e espírito. Ela diz rezar todos os dias, principalmente após ensaios, sejam eles na quadra ou na avenida.

"Dobro literalmente meus joelhos e oro, pedindo proteção a Deus. Às vezes, as pessoas não têm nem tanta inveja, mas só de acharem você bonita... O olho gordo é muito forte, pior que qualquer macumba, qualquer feitiço. Só peço proteção a Deus mesmo. Não tenho uma religião certinha. Só faço minha oração mesmo", conta ela, que sem papas na língua, dispara: "Não vejo a hora de acabar o carnaval para pode descansar e voltar a cuidar 100% dos meus filhos, porque carnaval é uma delícia, mas judia muito deles."

Enquanto a festa brasileira não chega ao fim, Nadege foca em sua promessa, sempre com muito bom humor. "Minha escola está tão perfeita que se for campeã, esqueço minha fantasia em casa e vou pelada."