Camila Silva, representante da Vai-Vai, inicia carreira de atriz e fala sobre qualidades essenciais para o posto no carnaval


Camila Silva é daquelas mulheres de parar o trânsito. Literalmente. Enquanto posava para o ensaio exclusivo do iG , os motoristas que passavam pelas ruas no entorno da quadra da Vai-Vai, no bairro do Bexiga, em São Paulo, se contorciam em seus carros para olhar melhor a beleza da modelo. Alguns paravam para tirar fotos com seus celulares, outros deixavam de se preocupar com o trânsito e viravam totalmente o pescoço. E não é para menos. A rainha de bateria da agremiação tem 73kg distribuídos em 1,77m, 96cm de busto, 102cm de quadril e 72cm de cintura.

Camila iniciou sua história no carnaval aos sete anos de idade. Desde então, passou pela Combinados de Sapopemba, Flor de Vila Dalila, Leandro de Itaquera, Camisa Verde e Branco, Nenê de Vila Matilde e, em 2009, foi coroada rainha de bateria da Vai-Vai. Casada há seis anos com o presidente da agremiação Darly Silva , o Neguitão, Camila faz questão de destacar que seu posto foi conquistado antes da relação e que sua união não tem nenhuma interferência com o título. "Não sou rainha por causa dele. Fui rainha quando ele era diretor ainda", reforça.

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Tem gente que acha que porque você é rainha de bateria, tem que estar sempre bonequinha, sorrindo, não pode falar palavrão, isso, aquilo".

A presença do marido nos ensaios ajuda a aliviar as cantadas, que ainda assim acontecem vez ou outra. A consciência de que ela é a mulher do presidente também deixa tranquila a mulherada que está acompanhada.

"Tudo tem um limite. Tem mulher que fala: ‘Camila, você dança na frente do meu marido e eu não sinto ciúmes, porque você dança, não é vulgar'. Então tem que saber se impor. Porque tem gente que acha que porque você é rainha de bateria, tem que estar sempre bonequinha, sorrindo, não pode falar palavrão, isso, aquilo. Tem homem que tira foto, diz que não ficou boa e fica agarrado na sua cintura. Mas tem que saber lidar", contou Camila, que por vezes precisa andar na quadra cercada por seguranças. "Tem sempre uns que bebem a mais e ficam mais abusados."

Fora do carnaval

Camila é assídua nos ensaios da Vai-Vai, mas este ano ficará ausente nesta reta final por conta de uma novidade profissional que surgirá em breve. A rainha prefere não dizer exatamente do que se trata, mas neste período que estará longe, será por conta de algumas gravações. "Comecei a fazer um curso no Wolf Maia e estou trabalhando como atriz também. Vem uma surpresa aí pela frente. Já estou fazendo trabalhos como atriz profissional e vai ser uma surpresa para o final do ano, na TV", contou a modelo, que antes do curso de atriz, trabalhava com feiras e eventos, além de shows de dança.

Não sairia pintada. Não tenho corpo pra isso".

Rainha ou madrinha?

Camila chama muita atenção, também, pelo samba no pé, qualidade que considera essencial para quem assume o posto de rainha de bateria.

"Tem que saber sambar. Não é só mandar beijo ou ficar rebolando. Quer mandar beijo, vai ser madrinha de bateria ou sair no carro, defendeu a rainha, que apontou outros pontos essenciais para poder carregar a faixa com orgulho. "Tem que ter postura, saber lidar com público, sair de situações constrangedoras sem ser agressiva ou vulgar. Tem que ser simpática, carismática. Porque se você não consegue lidar com sua própria comunidade, você não vai lidar com nenhuma. Aqui, lido com crianças, senhoras, senhores, homens, gringos que vem para cá. Temos que saber acolher, saber receber."

Sobre madrinhas, aliás, Camila aponta que é um posto que pode ser assumido com tranquilidade por celebridades. A modelo conta que a Vai-Vai é uma escola que presa a presença de garotas da comunidade no posto de rainha, mas permite famosas como madrinha, como já aconteceu com Maria Rita , Scheila Carvalho e, atualmente, com Ana Hickmann .

"A Ana, por ter as coisas dela para fazer, ainda é bem presente na escola, ajuda as crianças carentes, tem uma participação. A Viviane Araújo , que é rainha do Salgueiro, também é muito presente. E tem que ser assim. Poxa, a gente não fica só em fevereiro, só janeiro. Estamos aqui o ano inteiro, vemos como o samba é feito, o tema, vê o neguinho lavando o chão, e elas (celebridades) chegam só quando está estourando, no último ensaio técnico? Pode desfilar, sim, mas vai ser madrinha, vai ser musa", defende Camila.

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Fantasias

Outra política da Vai-Vai é ajudar suas rainhas na compra das fantasias. Quem assume o posto não precisa colocar a mão no bolso. Mas Camila faz questão de contribuir buscando patrocínios. "Se eu não tivesse, eu não sei como seria. A Vai-Vai sempre ajuda a corte. Uma das poucas escolas que faz isso. Também procuro não me acomodar. Vou atrás de patrocínio de cabelo, de salão de beleza, porque a gente gasta com tudo isso, bijuteria, sandália. Corro atrás das minhas coisinhas também, para não ficar tudo por conta da escola”, conta.

A Ana Hickmann, por ter as coisas dela para fazer, é bem presente na escola, ajuda as crianças carentes, tem uma participação"

Mesmo com todo dinheiro investido na fantasia, foi uma delas que fez Camila passar por apuros na avenida no carnaval de 2012. “Meu costeiro estava perfeito, pulei com ele horrores lá no hotel antes de ir. Aí, quando cheguei na concentração, na frente da bateria, não sei que cargas d’agua, o costeiro quebrou. As pessoas começaram a tirar cordão do crachá da credencial para amarrar o costeiro, que acabou virando um bundeiro. Foi o único jeito”, relembra Camila, que não esconde que já levou tombos em ensaios técnicos e na quadra da escola.

Ela ainda revelou não ter problemas na hora de exibir o corpo na avenida. Mas mesmo com o corpo invejável, tem uma ressalva: “Não sairia pintada. Não tenho corpo para isso. Tenho muito seio. Para dançar, ele precisa estar seguro, porque dói quando mexe. Não sairia pelada, mas de resto, sairia numa boa."

Camila Silva, rainha de bateria da Vai-Vai
André Giorgi
Camila Silva, rainha de bateria da Vai-Vai


Agradecimentos:

Vai-Vai
Ateliê LMartins
Luiz Martins (make e stylist)
David Rodrigues (stylist)