Mestre Gabi, um militante do samba

Aos 64 anos, o mestre-sala diz ter saudade dos Carnavais passados e faz críticas à condução da maior festa popular do planeta

Bruno Baronetti, especial para o iG | 04/03/2011 20:12

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Foto: Reprodução

Mestre Gabi em cena do documentário "Batuque Memorável"

Uma multiplicidade de elementos visuais, musicais e performáticos. Assim é o desfile de uma escola de samba. A representação maior da agremiação está no casal de mestre-sala e porta-bandeira. Altiva, elegante e esplendorosa na avenida, esta última tem a missão de levar o maior símbolo da escola, o seu pavilhão, intocável até mesmo pelo seu par, o mestre-sala, que a protege e a corteja durante todo o desfile. O casal evolui com movimentos circulares, faz o minueto, sempre de forma elegante. Todos os casais de mestre-sala e porta-bandeira têm a sua escola de samba, mas são poucas as escolas que podem dizer que possuem o seu casal.

Um dos mais elegantes e celebrados mestre-salas de todos os tempos, Gabriel de Souza Martins, o Mestre Gabi, ostenta juntamente com sua mulher, Vivi, o título de melhor casal de mestre-sala e porta-bandeira do século, concedido em uma eleição promovida pelo jornal Folha de São Paulo da qual participaram críticos, sambistas renomados, presidentes de escolas de samba e jornalistas. A esse título, Gabi soma ainda o de Cidadão-Samba da Cidade de São Paulo 2011, que o integra à corte carnavalesca deste ano.

Gabi iniciou sua trajetória na escola Barroca Zona-Sul, onde fez de tudo: foi compositor, chefe de ala, membro da ala-show e, por fim, mestre-sala de 1983 a 1989. Neste ano foi para a escola de samba Camisa Verde e Branco, onde ganhou o tri-campeonato e se consagrou. Também foi convidado para a abertura do Carnaval oficial do Rio de Janeiro, representando todas as escolas de samba de São Paulo, de 1993 a 1995. De 1991 a 1999 foi primeiro-casal do Camisa Verde e Branco, ganhando diversas vezes os prêmios de melhor mestre-sala e melhor do Carnaval. Em 1993, no Rio, o troféu de melhor mestre-sala do ano homenageava o mestre: Troféu Gabi Maravilha. Em 2001, no pavilhão ostentado por Vivi, honraria mor na inscrição: “Os Soberanos.” Gabi também fundou, em 1995, a Associação dos Mestres-Sala e Porta-Bandeiras do Estado de São Paulo, onde ministra cursos e palestras. Além disso, é jurado da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo nos quesitos de mestre-sala e porta-bandeira, letra do samba e comissão de frente.

Mesmo com toda essa história, Mestre Gabi está preocupado com os rumos que o Carnaval vem tomando. Para ele, um saudosista, a grandiosidade dos desfiles acabou com a grande emoção que é o desfilar. “O Carnaval não tem muita emoção mais, aquela coisa de coração, de você chorar pelo teu pavilhão, como acontecia. Eu sou de chorar quando uma escola passa mal”, conta. “Sinto que poucas são as pessoas que pertencem à escola de samba. Eu, por exemplo, quando estive na Barroca, era o Gabi da Barroca. Não sabiam meu nome, mas sabiam que eu era o Gabi da Barroca”, lembra, ao comentar que as escolas desfilam com milhares de pessoas, mas que não criam grandes laços com seus foliões. Outra crítica feita pelo mestre é em relação aos preços dos ingressos no Sambódromo, que na sua opinião, afastam os sambistas mais pobres. “A gente perdeu com isso. A gente, eu digo, a comunidade, os sambistas que não podem pagar. É uma nota para entrar e assistir e quem não tem, infelizmente, só pode ver pela televisão.”

 

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