Enredo sobre Roberto Carlos provoca sincretismo religioso na Beija-Flor

Iemanjá e Jesus Cristo estão entre as esculturas que a agremiação prepara para homenagear o cantor na Beija-Flor

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro | 21/01/2011 16:40

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Que Roberto Carlos é uma pessoa bastante religiosa – a ponto de carregar sua fé para algumas de suas composições mais famosas – isso não é novidade. Também não causa surpresa supor que a Beija-Flor de Nilópolis, escola que o homenageará no desfile desse ano, pretende mostrar este lado católico do Rei em algum momento do desfile.

Mas quem chega ao barracão da agremiação nilopolitana, na Cidade do Samba, Centro do Rio, a primeira coisa que avista é um despacho de macumba como “cartão de boas vindas”. “É para afastar o mau olhado e as energias negativas”, avisa um segurança. No canto esquerdo do barracão vai tomando forma uma imensa escultura de Jesus Cristo, na alegoria que trará o homenageado no enredo “A Simplicidade de um Rei”.

Jesus, na visão da Beija-Flor, tem pele clara, olhos azuis, cabelo marrom e rosto sério. Na frente da escultura, feita de isopor, um local de destaque com duas escadas laterais. É lá que estará Roberto Carlos. Atrás da escultura, três imagens de corpo inteiro de santas. Diz a letra do samba: “De todas as Marias vêm as bênçãos lá do céu...”

Se o fervoroso católico Roberto Carlos quiser visitar o segundo andar do barracão da escola para ver, antes do desfile, o que lhe aguarda como forma de homenagem, terá que passar pelo despacho – localizado bem ao lado de uma cópia do samba. A Arquidiocese do Rio ainda não se pronunciou a respeito das imagens sacras que a agremiação pretende levar para a Sapucaí.

Iemanjá também vai desfilar

Um escultor, que pediu para não ser identificado, afirma que a escultura de Iemanjá, de seis metros de altura, cercada por baleias em tom azul, irá vir à frente do último carro, o que traz Roberto. A alegoria tem formato de navio, para remeter ao projeto “Emoções em alto-mar”, no qual Roberto se apresenta para os passageiros.

Em outras alegorias, é possível ver uma imensa máquina de costura (homenagem à profissão de Lady Laura, mãe de Roberto), um rosto de criança no meio a ferragens que ainda ganharão adereços e um carro praticamente pronto que remete a Cachoeiro de Itapemirim, cidade-natal do cantor.

 

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