Conheça as origens dessa festa popular no Brasil e ao redor do mundo

Bloco Bangalafumenga
Fernando Maia/Riotur/Fotos Públicas
Bloco Bangalafumenga


Para os amantes de samba, o mês de fevereiro é o primeiro nome na lista de épocas mais queridas. Com muita alegria, glitter e poesia, o carnaval é uma festa que, por tradição, marca a vida de milhares de foliões e foliãs espoletas que não dispensam cair no samba no ritmo do pulso do surdo e das rápidas levadas do cavaquinho. Pode parecer mentira, mas mesmo que o carnaval já faça parte da cultura nacional e tenha um caráter tão brasileiro, a festa não é originária do Brasil e muito menos nova no pedaço. O costume de festejar com muita cor e alegria não faz parte apenas do contexto nacional e vem de muito tempo atrás. Os pioneiros na prática carnavalesca são a Grécia, Mesopotâmia e Roma, desde os tempos da Idade Antiga.

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Do latim carnis levale , que em português quer dizer retirar a carne , é que vem o significado da palavra carnaval . O conceito tem relação com a quaresma, período no qual os crentes em religiões cristãs tinham de ficar 40 dias em abstinência de carne.

O início com as celebrações mesopotâmicas

As Saceias, festas que aconteciam na antiga Babilônia, permitiam que um prisioneiro vivesse durante cinco dias como o rei: comendo do bom e do melhor, com direito a se vestir como o maior membro da realeza e ainda se deitar com as mulheres reais. No fim dessas noites cheias de fartura, os prisioneiros eram torturados e morriam enforcados ou empalados. Os rituais com essas características tinham a função de proteger a identidade do rei que, quando ameaçado, cedia seu posto para um falso rei e esperava até que a paz fosse reestabelecida para que pudesse retornar ao trono.

O carnaval é conhecido como uma festa pagã
Reprodução
O carnaval é conhecido como uma festa pagã

Além das Saceias, o ano novo babilônico também contribuiu para a origem do carnaval. Em um dos onze dias do evento que acontecia no templo de Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos, o rei da época era submetido à humilhação e tortura em frente à estátua sagrada que retratava a tal divindade. A prática tinha como função garantir a regeneração do reino e a devoção ao grande deus Marduk.

Em ambas as celebrações, uma característica muito forte é a mudança de papéis sociais. Nas Saceias, os prisioneiros viviam dias de reis e no ano novo babilônico, os reis, donos das posições maiores possíveis dentre as outras, se submetiam às mais vulneráveis diante de um deus maior. A prática de uma das fantasias mais comuns no carnaval vêm daí: homens que se vestem como mulheres e mulheres que se vestem como homens também caracterizam uma inversão de papéis sociais que vêm dessas tradições mesopotâmicas.

Mais do nascimento: as origens romanas e a reação da Igreja Católica

Os bacanais, festas dionisíacas para os gregos, mas dedicadas ao deus Baco para os romanos, também marcam características que existem até hoje no carnaval. Nessas festas, a curtição era marcada pela bebedeira e entrega aos prazeres da carne. Além dessas, haviam ainda as Saturnálias e as Lupercálias, que ocorriam em dezembro e fevereiro, respectivamente. Nelas, muitos dias eram dedicados à celebração com fartura de comes, bebes e muita dança e papéis sociais também eram invertidos temporariamente: servos se colocavam no lugar de seus senhores e vice-versa.

Nudez e pintura corporal no carnaval brasileiro
Edu Graboski / M2 Divulgação
Nudez e pintura corporal no carnaval brasileiro

No entanto, pelo fato das festas serem adeptas do paganismo, religião que permite que os fiéis venerem os deuses que bem entenderem, a Igreja Católica não enxergou as festas com bons olhos não só por não se enquadrarem na própria ideologia, mas também por associarem a inversão de papéis sociais na relação entre Deus e o demônio. Por essa razão, a Igreja, então, fez com que tais festas acontecessem a quaresma, permitindo que o período fosse usado para uma espécie de “despedida” dos excessos antes de adentrar tempos de severidade religiosa.

O carnaval brasileiro: desde o Brasil-colônia até os bloquinhos de rua

No Brasil, a primeira festa que marcou o início das comemorações carnavalescas foi o entrudo, um ritual de origem portuguesa que era praticada por escravos e passou a acontecer ainda na época da colonização. A partir daí e aos poucos, começaram a surgir outros tipos de festa até que vieram os cordões, as festas de salão e as escolas de samba. Depois, frevos, maracatus e afoxés também passaram a fazer parte do carnaval brasileiro, assim como as marchinhas e demais gêneros musicais .

Os blocos de rua, em 2016, agitaram o carnaval brasileiro. Em São Paulo, o bloco 'Tarado Ni Você' arrastou milhares de foliões no centro da cidade
Paula Portes/Futura Press
Os blocos de rua, em 2016, agitaram o carnaval brasileiro. Em São Paulo, o bloco 'Tarado Ni Você' arrastou milhares de foliões no centro da cidade


As proporções tomadas pela cultura carnavalesca foram tão longe, que até as ruas não conseguiram escapar da folia. Em três grandes capitais brasileiras, como Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, o carnaval passou a ser uma festança e tanto e ultrapassou os limites do sambódromo. Marcados por trios elétricos, multidões e pés fora do chão, o carnaval de rua que toma conta da urbe já chegou a registrar público de 1,2 milhão de pessoas em Salvador e 16 mil foliões cariocas apenas no pré-carnaval. Em São Paulo, os números também não ficam muito atrás. Também anfitrião de um grande público, o carnaval paulista tem superado no quesito rua  e, para a bagunça de 2017, já tem aproximadamente 500 bloquinhos confirmados.