Criado em 2007 para homenagear carnaval pernambucano, bloco tem trilha marcada por frevo e ritmos nordestinos

Agência Brasil

Nem a chuva fina que caiu em Brasília na tarde deste domingo (15) desanimou os pequenos e grandes foliões do Bloco da Tesourinha, criado em 2007 e já tradicional no circuito infantil do carnaval da cidade. A concentração, em uma praça de uma quadra residencial, reuniu super-heróis, princesas, bailarinas, bichos e até pequenos zumbis.

Fantasiado de morto-vivo, o estudante Tito Gonçalves, 6 anos, fez questão de escolher o disfarce e teve a ajuda do tio designer para se preparar para o carnaval. “Eu não me machuquei de jeito nenhum, foi meu tio que fez”, explicou, mostrando a cicatriz fictícia no rosto. O pai dele, o servidor público Anderson Gonçalves, disse que é a segunda vez que traz Tito ao bloco e aprova a ideia de um bloco infantil.

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“É bacana por conta da família. Normalmente os blocos têm muita gente, com muitos adultos e poucas crianças. Ter um bloco em que a prioridade são as crianças é muito melhor, muito mais tranquilo.”

O educador ambiental Gustavo Lemos foi ao bloco com os filhos e sobrinhos e disse que aproveita a folia tanto quanto os pequenos. “Para a gente que está nesta fase de filhos pequenos é importante ter um local onde se possa curtir o carnaval com crianças, que tenha segurança, uma estrutura um pouco melhor", elogiou. "E é um carnaval com boa música, dentro da quadra, que mantém uma tradição de música brasileira."

Menina entre adultos que levaram filhos, sobrinhos e netos para pular carnaval em praça no DF
Agência Brasil
Menina entre adultos que levaram filhos, sobrinhos e netos para pular carnaval em praça no DF

A trilha sonora, de puro frevo e ritmos brasileiros, é um dos orgulhos do criador do bloco, Renato Fino. Quando foi inaugurado, em 2007, o Bloco da Tesourinha pretendia homenagear os 100 anos do ritmo pernambucano. O nome do bloco é uma homenagem dupla: ao passo do frevo e às engenhosas ligações entre as partes leste e oeste de Brasília, desenhadas por Lúcio Costa. Oito anos depois, o evento já tem tradição no calendário do carnaval brasiliense e com a cara da cidade, segundo Fino.

“Uma diferença do Tesourinha é ser realizado dentro de uma quadra residencial, porque isso faz parte de uma tentativa nossa de deixar Brasília menos fria. As pessoas moram aqui, nesta área. Fazer a festa dentro do espaço onde as pessoas moram, vivem e coabitam é muito importante. Talvez tenha sido esse o planejamento de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer”, avaliou.

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Se depender de pequenos foliões como Benjamim Vale, oito meses, devidamente fantasiado de Homem-Aranha, a tradição de pular o carnaval no Tesourinha será mantida. “É o primeiro carnaval do Benjamin. Ano passado foi na barriga da mãe e agora está aqui vendo o que é o carnaval de verdade”, disse o pai, o empresário Glauber Vale.

Com a chegada do pequeno super-herói, a programação do carnaval da família mudou, segundo ele. “Pular o carnaval não é mais aquela coisa de balada, de solteiro, é um carnaval família. E é muito engraçado ver as crianças fantasiadas e como elas se divertem", comparou.

O Bloco da Tesourinha volta a sair na terça-feira de carnaval (17), com concentração a partir das 16h, na praça da 410 Norte, na Asa Norte de Brasília.

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