Tradição em Paraty, bloco atraiu foliões que mergulharam em depósitos de lama; "é muito refrescante", afirma moradora

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Esqueça as enfermeiras sexy, os piratas e os demônios. No carnaval do Bloco da Lama, as fantasias mais comuns são mesmo as de monstros e criaturas do pântano.

Foliões na colonial cidade de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, tiraram este sábado (14) para se jogar em depósitos de lama negra, rica em minerais, nos quais submergiram dos pés à cabeça. Biquinis e sungas subitamente sumiram sob a lama.

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Uma mulher usando um imaculado biquini branco foi caçada por um folião recém-saído da lama que disse: "Ela está limpa demais, me faz querer abraçá-la". Não demorou para que a roupa de banho dela se transformar em um biquini totalmente preto.

"Geralmente, quando se pensa no carnaval brasileiro, a última coisa que vem à cabeça é lama", diz Marion Douchet, turista francesa de 28 anos, enquanto passa a gosma negra no pescoço e em alguns pontos ainda visíveis da pele já repleta de lama. "É divertido, é original e é exótico."

Um dos foliões que compareceram ao exótico bloco no litoral fluminense:
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Um dos foliões que compareceram ao exótico bloco no litoral fluminense: "refrescante", dizem

Dona de um hotel na cidade, Patricia Azevedo afirma que a lama a ajuda a manter a pele mais fresca em meio ao calor do verão. "Quando você vai a um bloco tradicional, fica lá sendo esmagado feito uma sardinha e acaba tendo um calor insano", diz a empresária de 43 anos. "A lama é muito refrescante. Além disso, me faz poder dispensar o protetor solar."

Segundo a lenda, o bloco nasceu em 1986, após adolescentes que caminhavam em uma floresta de mangue nas proximidades terem sujado seus corpos de lama para evitar picadas de mosquitos. A festa cresce ano a ano, mas os foliões são eventualmente banidos de festejar no centro de Paraty devido ao rastro de sujeira que deixam nas paredes das lojas da região.

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Devido a isso, os foliões passaram a fazer o evento na praia, onde colocam nas caixas de som funk e house music enquanto gritam "uga, uga" como homens das cavernas. À medida que a tarde avançava e o número de latas de cerveja vazias na areia se multiplicavam, assim como as bolas de lama arremessadas pelos presentes, o número de adolescentes na festa aumentou. Os depósitos de lama foram ficando vazios.

"É uma diversão espirituosa", afirma Azevedo, completamente enlameada. "Quer dizer, ainda não me olhei no espelho e tenho certeza de que estou ridícula. Mas, por outro lado, todos aqui estão."

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