Descontraído, feriado carnavalesco tem clima generalizado de desejo e sedução entre foliões, que contam agora com um aplicativo específico para quem quer trocar muitos beijos

Época como a maior expressão de liberdade e curtição do povo brasileiro, o carnaval leva multidões às ruas de todo o País, que cantarolam marchinhas nos blocos, sambam nas escolas e requebram ao som do axé dos trios elétricos. Além disso, a folia também é uma inegável oportunidade para aproveitar a solteirice conhecendo gente nova e beijando muito na boca - sem se importar com os julgamentos. 

Carol Almeida (à esq.):
Arquivo pessoal
Carol Almeida (à esq.): "Carnaval sempre foi a melhor época para mim. Sou solteira convicta"

Tomando carona nessa tradição de quatro dias de pegação liberada, o grupo responsável pelo aplicativo de encontros Tinder está lançando uma ferramenta para facilitar a paquera na folia.  Patrocinado por uma marca de cervejaria nacional, o app Beija Eu usa o GPS dos celulares para localizar e unir beijoqueiros que estarão nas festas e nos blocos. 

A praticidade e a objetividade do app é reflexo do sentimento generalizado de desejo e sedução que toma conta do Brasil neste período do ano. “O carnaval tem todo um histórico no nosso País, de uma época em que as pessoas têm mais liberdade para curtir. Essa descontração vai desde a liberdade para usar roupas mais extravagantes até a própria nudez. A busca de várias parcerias numa noite só tem tudo a ver com o espírito do carnaval”, explica a psicóloga e terapeuta sexual Carla Cecarello, que vê de forma bem-humorada esse comportamento. “No final das contas, as pessoas esperam o ano todo para poder liberar geral.”

Carnaval é feito para isso: beber, se divertir e beijar pessoas. Para mim, é uma festa para pegar todo mundo (Carol Almeida)

Natural de Américo de Campos, no interior de São Paulo, Carol Almeida, de 27 anos, ainda tem na memória os primeiros anos de folia nos bloquinhos, ainda na infância. “Me lembro de pular os cinco dias, desde cedo até de madrugada. A pegação começou só mais tarde, quando eu era maior. Sempre passei o ano esperando pelo carnaval, tanto que ficava triste com o fim e em depressão na quarta-feira de cinzas”, diverte-se ela.

DELAS:  Você sabe o que é beijo-grego? Prática sexual exige cuidados

O único climão que Carol precisou enfrentar foi na folia de 2013, quando viajou para o Rio de Janeiro. Na época, ela saía com um ‘rolinho’, mas sem tanto compromisso assim. No meio da curtição, Carol acabou beijando outra pessoa, o que incomodou o parceiro que tinha ficado em São Paulo. Para evitar qualquer dor de cabeça, ela resolveu passar os carnavais desde então como manda o script das beijoqueiras: solta e solteira, sem precisar dar satisfação a ninguém.

Mariana Benedito:
Arquivo pessoal
Mariana Benedito: "Carnaval é a nossa grande Copa do Mundo, onde todo mundo se pega sem rolar julgamento"


“Desde que eu me entendo por gente, carnaval é feito para isso: beber, se divertir e beijar pessoas. Para mim, é uma festa para pegar todo mundo. Além disso, sou a favor de relacionamento aberto e odeio gente que pega no meu pé. Por isso, o carnaval sempre foi a melhor época para mim. Sou uma solteira convicta”, defende Carol.

FOTOS: Veja quem são as musas do carnaval 2015 

Passado na cidade paulista de Votuporanga, a folia de 2013 foi a melhor para Carol em termos de pegação. Pulando num bloco, ela beijou 27 rapazes diferentes na ocasião, batendo o seu próprio recorde. Com passagem marcada para Salvador, a paulista pretende melhorar essa marcar em 2015. 

 “Estou ansiosíssima, planejando essa viagem desde o ano passado. Minha prima disse que não aceita um número inferior a 30, para bater o recorde. Vamos sem expectativas, mas tem que rolar, com ou sem meta de beijos”, brinca Carol.

RUMO AOS MIL ‘GOLS’

De acordo com a especialista Carla Cecarello, para curtir um bom carnaval é preciso lembrar o objetivo central da festa: ‘ninguém é de ninguém’. Então, nada de grudar naquele paquera ou esperar que o príncipe encantado apareça em meio a confetes e serpentinas. Dificilmente vai rolar.

Se dar valor é deixar de fazer o que você gosta? Me poupe. Estou respeitando minhas próprias vontades (Mariana Benedito)

“Também tem que prestar atenção na questão da segurança. Usar preservativo sempre e não dividir bebidas com ninguém, nem do copo de um amigo. Do restante, é partir para o abraço e curtir sem medo de ser feliz, sem ligar para o julgamento alheio”, recomenda Carla, que dá uma última dica aos desavisados. “Só não vale se apaixonar, porque as pessoas agem tomadas pelo entusiasmo do álcool, e isso não implica em compromisso.”

Mariana Benedito está na luta para bater o recorde de 1000 gols, brincadeira que ela e os amigos inventaram para contabilizar o número de pessoas que a universitária já beijou nas últimas festas. A contagem dela estava em 749 beijados até a publicação desta matéria.

 “Queria bater o recorde em São Luiz do Paraitinga (SP), onde passei os últimos três carnavais. Mas sei que é humanamente impossível. Ou respiro ou pego os caras. Mas o carnaval é a nossa grande Copa do Mundo, em que todo mundo se pega sem rolar julgamento”, define a universitária.

Nesta Copa da Pegação, Mariana quer terminar o feriadão carnavalesco tendo beijado 50 pessoas. No entanto, ela ressalta que esse número não é obrigação ou condição para a folia ser boa. “As preocupações eu deixo para quando voltar para São Paulo. No carnaval, só quero me divertir e fazer o que me dá vontade”, resume.

E não adianta vir com discursos moralistas para cima de Mariana. “Tenho umas amigas que falam que sou encalhada. Mas aí eu pego um cara mais bonito que os namorados delas e todo mundo fica quieto. Sempre me contestam, mas não diretamente, dizendo que mulher tem que se valorizar. Se dar valor é deixar de fazer o que você gosta? Ah, me poupe. Estou respeitando minhas próprias vontades, em primeiro lugar”, conclui a resolvida foliã. 

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.