Liège Monteiro e Luiz Fernando Coutinho explicam trabalho e revelam como dizem - com elegância - não para “puxa-sacos”

O iG na folia informa: para se dar bem em camarotes e bailes de luxo durante o carnaval, o segredo é se dar bem com as pessoas certas. Neste caso, um casal que está há anos no mercado e tem poder de abrir portas é Liège Monteiro e Luiz Fernando Coutinho , promoters que agitam o que for preciso na cidade do Rio de Janeiro.

A lista de profissionais da área é extensa, mas são poucos os que executam a tarefa com excelência. Para quem não sabe, um promoter tem a responsabilidade de montar a lista de convidados de um evento. E vale lembrar que são as pessoas em movimento no salão que garante (ou não) o sucesso da festa. “Bons convidados rendem boas conversas, festa animada e repercussão na mídia”, disse Luiz.

Neste carnaval, Liège e Luiz estão à frente das listas do tradicional Baile do Copa (dia 14 de fevereiro no Copacabana Palace), do Camarote da Grande Rio e do Camarote Quem Acontece (os dois na Marquês de Sapucaí). A folia é em fevereiro, mas os trabalhos começam ainda no ano anterior. É preciso pensar no perfil do evento, nas atrações, bons nomes e conexões seguras.

Quer entrar nesta festa sem ser penetra? Confira a entrevista a seguir e descubra o caminho das pedras:

iG: Como é esse processo de montar a lista dos VIPs e organizar o evento social?
Liège: É preciso ter um bom mailing e uma relação próxima com os convidados. Adoro reunir as pessoas. Costumo convidar pessoas que se conhecem para que elas não se sintam deslocadas no ambiente. Ao mesmo tempo, gosto de juntar pessoas que não se conhecem, porque imagino que esses encontros podem resultar numa futura amizade, numa parceria de trabalho.
Luiz Fernando: Quando organizamos uma lista de convidados para o Baile do Copa, o Camarote Quem Acontece ou o Camarote Grande Rio, temos a mesma preocupação de quando organizamos a lista do show do Paul McCartney , ou seja, pensamos num público para aquele evento. Qual a idade? Sexo? O perfil que essas pessoas têm? Tudo isso é levado em consideração na hora que fazemos uma lista.

iG: O que é mais difícil na hora de fechar essa lista de convidados?
Liège: Existe o hábito do brasileiro de deixar para confirmar presença na última hora. Algumas vezes, a gente só sabe se vai contar ou não com a presença de determinado convidado no dia do evento. Mas precisamos ter o controle do número de convidados, para saber se a festa vai estar vazia ou cheia, calcular a quantidade de comida e bebida...
Luiz Fernando: Neste caso, usamos a intuição e a experiência. No carnaval, como vem muitas pessoas de outras cidades, convidamos também amigos de São Paulo, Salvador...

iG: Tem muita gente que liga para pedir convite e bajular vocês? Os famosos puxa-saco?
Liège: Tem, mas não vejo problemas nos pedidos. É natural que as pessoas queiram frequentar estes eventos. Se uma pessoa quer muito ir a um evento, provavelmente, essa pessoa irá somar.
Luiz Fernando: Há pessoas que descobrem nosso celular e deixam recados engraçados.

iG: E vocês precisam negar muitos pedidos de convites? Como faz na hora de dizer “não” com elegância?
Liège: Sim, é difícil ter que deixar algumas pessoas de fora da festa. Por uma limitação de espaço, não dá para convidar todo mundo que nós gostaríamos. O melhor a ser feito é usar a sinceridade. A verdade continua sendo a melhor resposta.

iG: Vocês se lembram de alguma situação desconfortável com algum VIP que teve o convite negado?
Luiz Fernando: Nós tentamos sempre atender aos pedidos, dentro do possível. Mas às vezes não é possível...
Liège: Certa vez, eu estava trabalhando na festa de aniversário do Ronaldinho (Ronaldo Nazário) e um famoso jogador de futebol pegou o convite que havia recebido e deu para um penetra que estava na porta e já havia me pedido convite. Não era uma festa aberta, era uma comemoração de aniversário em que o aniversariante queria encontrar as pessoas que ele gosta e conhece. Em seguida, este jogador quis entrar, mas não era possível, pois não havia mais convites. O aniversário era no Pão de Açúcar e para entrar na festa era necessário ter o ticket para subir o bondinho. Fiz uma manobra para conseguir atendê-lo. Mas ele teve que esperar e eu não tive como resolver de imediato. Foi desagradável para mim e para ele.

iG: Liège, além de trabalhar com carnaval, você também é foliã de carteirinha?
Liège: Sempre gostei de carnaval. Até já desfilei na frente de uma ala como partner do Carlinhos de Jesus . Antigamente eu não tinha uma escola de samba, eu admirava os carnavalescos, estes artistas responsáveis pelo maior espetáculo da Terra. Mas há muitos anos fui apresentada à Grande Rio e foi paixão à primeira vista. Conheci o Jayder Soares , o presidente de honra da agremiação, e foi a minha primeira escola.

iG: Luiz, tem alguma novidade do Baile do Copa esse ano que você pode revelar para nós?
Luiz Fernando: O Baile do Copa tem se superado a cada ano. Em 2015 o tema da festa são as famosas melindrosas e serão revividos os anos 20 de Paris. O Baile do Copa tem o glamour que nenhum outro tem. Os homens usam black tie e as mulheres fazem vestidos especialmente para desfilar pelos salões do hotel. A escolha da Marina Ruy Barbosa como rainha do baile foi acertada. Ela é muito querida. É uma pena que outros bailes foram, aos poucos, acabando no Rio.

iG: Uma curiosidade que todos se perguntam sobre os camarotes na Sapucaí é a seguinte: sendo uma pessoa comum, mero mortal, é possível conseguir convite para os camarotes sem gastar uma grana? Ou, para entrar, só sendo VIP, empresário ou conhecido de alguém importante?
Luiz Fernando: Você convidaria alguém que você não conhece para a sua casa? Eu não convidaria. No camarote na Sapucaí acontece o mesmo: não vamos convidar alguém que não conhecemos.
Liège: No Camarote da Grande Rio, por exemplo, tem muita gente que ama a escola, desfila e não é conhecido do grande público. Essas pessoas são da família Grande Rio e são bem-vindas!

iG: Qual a dica que vocês dão para curtir o carnaval da melhor maneira, com disposição e elegância?
Liège: É importante a pessoa gostar de carnaval, ter alegria e se conectar com a energia da festa.
Luiz Fernando: Beber cerveja nesse calor é muito bem-vindo, mas é importante não exagerar na dose.

iG: E, passado o carnaval, o que vocês fazem para se recuperar do trabalhão intenso?
Liège: Não sei se vai dar tempo de me recuperar. Há muitos anos que não sei o que é ter férias. Já há outros eventos agendados para depois do carnaval.
Luiz Fernando: Algumas pessoas imaginam que a nossa vida é frequentar festas. Não é verdade. Para nós conseguirmos fazer com que o evento aconteça, precisamos dedicar horas das nossas vidas nele.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.