Grupo desfilou na orla da zona sul e mostrou, mais uma vez, que a mistura entre Rio e Pernambuco é positiva

Não teve samba-enredo, samba-rock, pop, pagode, axé e nem funk. O ritmo que invadiu a orla de Ipanema na manhã desta terça-feira (4) foi o maracatu. Com os olhos e ouvidos atentos ao apito do pernambucano conhecido como Chicote, que foi quem trouxe o batuque de lá para cá, a bateria composta por 80 membros levantou foliões que ainda tinham fôlego para pular o último dia de carnaval sob calor forte.

"É isso sempre. O Rio Maracatu tem essa questão. Tem que sair sempre queimadinho e suado", brincou Fred, da organização do grupo. Este é o 16º carnaval do grupo, que conta com seus cinco fundadores ainda presentes. Além da bateria, o Rio Maracatu vira um show à parte com as dançarinas, que levam o cortejo das baianas para a orla.

Quem balançou com o som grudado na corda não tirou os olhos das maquiagens coloridas e da ginga rodada das meninas, que também ensaiam o ano inteiro para as apresentações especiais. "Essa mistura entre o Rio e Pernambuco tem dado muito certo, cada vez mais certo. A cultura carioca absorve muito bem outras tradições", disse Chicote. "No começo o povo estranhava, mas hoje já entrou no calendário do carnaval", completou.

Além da empolgação nas alturas, os termômetros marcavam mais de 30ºC e o céu estava aberto como em nenhum outro dia de folia. "Para pular no Rio Maracatu é preciso protetor solar, cerveja, disposição e chapéu de palha também é bom. Made in Nordeste direto para o Rio", brincou Chicote.

Guilherme Veiga, de 23 anos, é de Goiânia e estava com amigos acompanhando de pertinho o cortejo. "Nós tocamos em uma bateria universitária e tem maracatu no repertório. O desfile está servindo como laboratório", disse o jovem, que já passa seu segundo carnaval na Cidade Maravilhosa.




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