A penúltima escola a desfilar na terça-feira (4) contou a história de uma das vias mais importantes da cidade do Rio de Janeiro

Dona de 21 títulos do carnaval carioca, a Portela tentou conquistar a 22ª vitória transformando a Marquês de Sapucaí na avenida Rio Branco, uma das mais importantes vias da capital do Rio de Janeiro. Há 29 anos sem sair vitoriosa, a azul e branco de Oswaldo Cruz apostou em um nome premiado para tentar o título: o carnavalesco Alexandre Louzada, cinco vezes campeão no carnaval (quatro vezes no Rio e uma em São Paulo).

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O desfile começou por volta das 3h10 da madrugada de terça-feira (4). Cerca de 3,8 mil componentes desfilaram entoando o samba-enredo “Um Rio de mar a mar: do valongo à Glória de São Sebastião”, puxado pelo intérprete Wantuir. O mestre Nilo Sérgio foi quem comandou a bateria, cuja rainha era Patrícia Nery.

Filhas dos portelenses Paulinho da Viola , Cecília Rabello , e João Nogueira , Clarisse Nogueira , passaram pela Sapucaí como as musas da Majestade do Samba pelo 2º ano consecutivo. "A Portela veio para fazer um grande desfile. A gente sempre fica na expectativa para fazer o melhor", disse Paulinho ao iG . Sobre a tradição da escola, o cantor disse que as novidades devem surgir, mas que não atrapalhem a essência do samba. "A Portela tem conseguido isso", finalizou.

Diogo Nogueira:
AgNews
Diogo Nogueira: "a escola mudou sua diretoria e está mais próxima da comunidade"

Diogo Nogueira , filho do portelense João Nogueira, citou que sentia calafrios momentos antes do desfile. "A escola mudou sua diretoria e está mais próxima da comunidade. A gente merece repetir o título de 1984 nos 30 anos da Sapucaí". O cantor e a atriz Glória Pires desfilaram entre os membros da diretoria da agremiação. Em 1984, ano da inauguração da Sapucaí, a Portela dividiu o título com a Mangueira. 

Logo no começo da apresentação, a Portela mostrou que dá para manter a tradição inovando. Uma das surpresas da escola foi o uso de uma águia controlada por controle-remoto em uma espécie de drone, avião não tripulado. A estrutura percorreu a avenida do samba com voos a seis metros de altura sobre os componentes.

Neste ano, o símbolo da escola também foi explorado como alegoria na comissão de frente. Ao abrir as asas, a estrutura revelou uma paisagem da Baía de Guanabara. As cem baianas da escola vieram girando como as ondas do mar em dia de maré alta. Detalhistas, as alas em referência ao Theatro Municipal e Cinelândia surpreenderam pelos detalhes. A primeira trouxe dezenas de bailarinas que sambaram na ponta dos pés. Após 1h15 de desfile, a Portela deixou a Sapucaí sem incidentes.  

(iG Rio, com colaboração de Carlyle Jr.)

Veja o samba-enredo da Portela logo abaixo:

O canto do cais do Valongo ôôôôôôô
Que veio de Angola, Benin e do Congo
Tem semba, capoeira e oração
O Rio sai da roda de jongo e vai desaguar
Na glória de São Sebastião

Oi, bota abaixo, sinhô
Oi, bota abaixo, sinhá
Lá vem o Rio de terno de linho
E chapéu panamá

A correnteza
De um Rio Branco é que traz
A arte do canto e a dança
De todos os sons musicais
O teatro da vida não sai de cartaz
A ilusão é uma atriz
Se exibindo na praça linda e feliz
Eu vou
Da Revolta da Chibata
Ao sonho que faz passeata
Seguindo a canção triunfal

Nesse Rio que vem e que vai
Traço o meu destino
E viro menino pra brincar de carnaval

Sou carioca, meu jeito é de quem
Vem com o sorriso do samba que a gente tem
Meu peito é um porto aberto
Pra te receber meu bem

Vou de mar a mar, mareia
Vou de mar a mar, mareia, mareou
Iluminai o tambor do meu terreiro
Ó santo padroeiro
O axé da Portela chegou!

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