O enredo “Batuk” embala o retorno da escola de samba ao grupo especial, depois de 16 anos


Adotado espontaneamente pelos blocos de rua cariocas, o refrão “Vai tremer, o chão vai tremer” embalou o desfile da Império da Tijuca, que abriu o primeiro dia de desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, neste domingo (2). O samba que caiu na boca do povo marca a volta da escola ao grupo especial depois de 16 anos.

Com autoria de Júnior Pernambucano, “Batuk” voltou a falar sobre os ritmos africanos, assunto que já havia rendido à Império a vitória no grupo de acesso. Foram 31 alas para mostrar como a batida no tambor já foi símbolo de religiosidade, embalou uma luta e inspirou ritmos mais novos como o Afroreggae e as músicas do Nação Zumbi e Filhos de Gandhi.

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Com o samba mais contagiante deste carnaval, a Império da Tijuca abriu os desfiles do grupo especial no Rio
AgNews
Com o samba mais contagiante deste carnaval, a Império da Tijuca abriu os desfiles do grupo especial no Rio

Quem puxou o samba-enredo foi o intérprete Pixulé, enquanto a bateria da escola foi dirigida pelo Mestre Antonio Martins, o Capoeira, tinha como rainha Laynara Teles.

Com poucos recursos, a Império da Tijuca não tinha nenhuma celebridade entre seus componentes, que, em sua maioria, era da comunidade de Morro da Formiga, onde fica a agremiação.

Veja o samba-enredo da Império da Tijuca:

Vai tremer o chão vai tremer
É nó na madeira, segura que eu quero ver
Coisa de pele batuk ancestral
Lá vem a sinfonia imperial
Bateu mais forte o coração
Tocou, senti a vibração
Da África, ressoou
A batucada que se espalha nesse chão
Lua clareia na aldeia, celebração
É dom de comunicação
Em cada cultura entoa rituais
Cura em devoção, magia dos sinais
É festa é kizomba, no toque pra Zumbi
Firma o ponto na gira não deixa cair

Na ginga do corpo
Na batida do pé, axé, axé!
Eleva a alma, o canto e a dança
Unindo as raças na fé e na esperança

Ecoou
O som divino do folclore popular
Batam palmas o cortejo vai passar
É o "fervo" que desce a ladeira
O batuque levanta poeira... capoeira
Dita moda, faz inclusão
Recria uma nação... guerreira
Batuqueiro, arrasta multidões
Nos blocos e cordões
Do Jongo aos salões
Conquistou a nobreza, fez sua realeza
O primeiro Império da corte do samba
Meu Império celeiro de bambas

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