Última apresentação mostrou um dos mais belos destinos turísticos do Brasil; pane no carro abre-alas atrasou desfile

A Tom Maior encerrou o primeiro dia de desfiles neste sábado (1º), às 6h, levando à avenida um enredo turístico sobre a cidade das cataratas, Foz do Iguaçu. Com a sintonia das águas em Tom Maior, do carnavalesco Mauro Quintaes, a escola retrata um dos mais belos destinos turísticos do Brasil e a principal fonte energética do País, a Usina Hidrelétrica de Itaipu.

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A escola abandonou os enredos políticos recorrentes nos últimos anos e optou por um enredo patrocinado para ter o dinheiro necessário para brigar pelo título. À frente da bateria da escola, três beldades: a rainha Andréia Gomes , a princesa Pâmella Gomes e a madrinha Tânia Oliveira . "É uma honra estar nesse posto, quando você pensa em diva, logo vem em mente mulheres lindas, magníficas, estou muito feliz", disse Tânia ao iG .

Todos os desfiles anteriores ocorreram sem problemas técnicos, mas não ocorreu o mesmo com a Tom Maior. No primeiro momento, o carro abre-alas não se moveu e precisou ser rebocado por integrantes da escola e tratores. O relógio começou a contar, mas a escola só conseguiu entrar na avenida 13 minutos depois. O céu já estava claro em São Paulo. 

Com a autoestima da escola recuperada, a comissão de frente deu vida ao nascimento da cidade de Foz do Iguaçu, com trajes indígenas e alegoria de serpente. Carro alegórico "Delírios de um grande colonizador" conta a história dos primeiros colonizadores da cidade.

Em seguida, um salto na história. Entrou a ala dos turistas, personagens gordos e com enormes câmeras fotográficas, e a dos muambeiros, que atuam na região da Ponte da Amizade, fronteira entre Brasil e Paraguai. O país vizinho também ganhou um espaço na alegoria da escola com uma ala própria. Apesar de todas as dificuldades técnicas, a escola conseguiu terminar apresentação dentro do horário limite. 

Veja o samba-enredo da Tom Maior:

Enredo: "Foz do Iguaçu: Destino do Mundo - Sinfonia das Águas em Tom Maior"

Carnavalesco: Mauro Quintaes

O som que se ouve na mata a murmurar
É a voz nativa que a lenda fez surgir
Dizem que um dia os olhos da bela Naipi
Encontraram os do bravo guerreiro Tarobá
E do encontro explodiu um grande amor
Que geraria ódio, ciúme e muita dor
Pela ira do inimigo despertar

Pois Naipi havia sido prometida
A M’Boi, o terrível deus serpente
Que destruía tudo pela frente
Era a forma de vida mais temida
Mas o que fazer diante da ameaça?
Para escapar dessa eminente desgraça
Fugir pelo rio Iguaçu era a saída

Os amantes partiram conforme planejado
Mas o poderoso monstro os descobriu
M’Boi com toda fúria ali abriu
Diversas fendas sobre o rio navegado
Dizem que assim nasceram as cataratas
Naipi virou rocha entre as cascatas
Foi Tarobá em palmeira transformado

A lenda que ali fez a morada
Traduz todo o poder da natureza
É o mito que explica tal beleza
De uma paisagem que de fato é encantada
E a passarada que ali entoa um canto
É a trilha sonora do espanto
Do espanhol pioneiro na empreitada

Mais tarde veio a ocupação
Um pedacinho cá na terra lá do céu
As águas que formaram um imenso véu
Abençoaram os habitantes desse chão
De muitas terras vieram imigrantes
Gente de países tão distantes
Fizeram de Iguaçu o seu rincão

“Nos rios se confundem as nações”
Como canta em louvor seu belo hino
É brasileiro, paraguaio e argentino
A mistura onde se banham os pavilhões
E ergue com orgulho a bandeira
De exaltação à tríplice fronteira
Mas é verde e amarelo o seu destino

Assim como é brasileiro de verdade
O jeitinho nosso de comprar
É muamba que vem de lá pra cá
Viajando pela Ponte da Amizade
Na sacola, um mundo de produtos
Verdadeiros ou falsos atributos
“Lembrancinhas” que aqui vão se espalhar

E se o jogo no país é proibido
Logo ali tem cassino a noite inteira
Bem do outro lado da fronteira
Arriscar a sorte é permitido
Fortunas que se vão numa jogada
Ou se erguem na roleta desvairada
O tilintar das moedas é ouvido

E a força das águas se descortina
Sobre o leito do rio Paraná
É a luz de um gigante a gerar
A energia que a dois países ilumina
Assim nasceu a grande Itaipu
Trouxe o progresso para Foz do Iguaçu
Obra humana que tem a mão divina

Diante de um cenário colossal
As vozes compõem tal painel
Uma imensa Torre de Babel
Ecoando em pleno Parque Nacional
Mas se calam diante da beleza
Do esplendor maior da natureza
A maravilha que se transforma em carnaval

E hoje rufa a nossa bateria
É mais uma voz feliz que se levanta
Para exaltar a Foz que se agiganta
De Iguaçu vem uma bela melodia
É batuque, canto e muito mais
E com orgulho meu povo é quem faz
Em Tom Maior, a mais linda sinfonia!

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