Fez-se justiça: em disputa acirrada voto a voto, levou a escola que tinha o melhor samba-enredo. Melhores colocadas deixam claro que não se faz mais carnaval sem patrocínio

Não há do que reclamar. A Vila Isabel, que cantou a vida do homem do campo, sagrou-se campeã do Carnaval 20013 com inteira justiça. Um dos trunfos da escola foi o samba-enredo. Sua excelência se confirmou na hora da abertura dos envelopes: no meio da apuração, quando a liderança estava dividida com a Unidos da Tijuca, o quesito samba-enredo – e a qualidade de seus autores Martinho da Vila, Arlindo Cruz, André Diniz, Tunico da Vila e Leonel – fez a diferença.

No fim, a vitória foi folgada: com três décimos de vantagem sobre a segunda colocada, a Beija-Flor – 299,7 a 299,4. Deve-se considerar o peso destes décimos: o julgador atribui notas de 9,1 a 10.

E, como já se sabia, evidenciou-se que não dá mais para fazer carnaval sem patrocínio, devido ao crescimento em progressão dos custos. Entre as primeiras colocadas, só a Imperatriz Leopoldinense não foi bancada com dinheiro de fora: Vila Isabel, Beija-Flor, Unidos da Tijuca (299,2), Imperatriz (298,3), Salgueiro (297,9), Grande Rio (297,2) – elas voltam ao Sambódromo no sábado para o Desfile das Campeãs.

A Unidos da Tijuca, em terceiro, foi supresa. A escola desfilou desde a entrada na Avenida Marquês de Sapucaí com sérios problemas no carro abre-alas. Mas três dos quatro julgadores deram à Tijuca nota 10 no quesito alegorias e adereços. Ou seja, não notaram o princípio de incêndio, esculturas da lateral retiradas ou seguradas por componentes, os soldados do Corpo de Bombeiros em ação no alto do carro, atendendo a pessoas que passaram mal. Estes julgadores devem sofrer de miopia em alto grau.

A Mangueira, oitava colocada, foi punida com 0,6 décimos por ter estourado o tempo de desfile. Nenhuma surpresa.

A Inocentes de Belford Roxo foi rebaixada. Também nenhuma surpresa. A rigor, a escola não deveria nem ter subido para a turma de elite. Está furos abaixo.

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