Carnaval 2013 teve número recorde de desfiles patrocinados: dos 12 enredos das escolas do Grupo Especial do Rio, oito eram temas diretamente bancados

A cronista Eneida, autora do livro clássico “História do Carnaval Carioca", ensinou que a essência da festa carnavalesca está na mudança. Portanto, não há sentido em se lamentar, como aqueles que vivem a dizer que os carnavais do passado eram melhores...

Pensando nisso, torna-se evidente que o desfile das escolas de samba do Rio, com o patrocínio escancarado, deus estranho à festa, chegou a um perigoso ponto sem volta. Não dá mais para fazer a festa sem dinheiro de fora, afirmam os carnavalescos, diante dos gastos que crescem em progressão geométrica (alguns deles próprios cobram R$ 1 milhão para pensar e realizar o cortejo).

Não sem razão, neste ano registrou-se um número recorde de temas diretamente bancados (8 dos 12).O campeonato de 2013 dificilmente deixará de ficar nas mãos de quem teve mais garrafa para vender: Vila Isabel, Salgueiro, Beija-Flor. A quarta favorita, Unidos da Tijuca, apresentou graves problemas no carro abre-alas, comprometendo o desfile.

Correndo por fora, Portela, Imperatriz e Grande Rio. A Mangueira, na luta por recuperar o prestígio perdido nos últimos anos, fez uma apresentação camicase: estourou o tempo e chocou seu último carro com a torre de transmissões de tevê. Mas fez história levando para o Sambódromo o espetáculo de duas baterias com 500 componentes.

Estreante no grupo de elite, a Inocentes de Belford Roxo deverá ser rebaixada.

VEJA COMO FORAM OS DESFILES DO CARNAVAL DO RIO

PRIMEIRA NOITE:

Enredo confuso e pouca inspiração visual prejudicam Belford Roxo

Salgueiro faz desfile rico, colorido e inventivo

A bruxa estava solta e Unidos da Tijuca faz um desfile frustrante

União da Ilha ganha pontos já na escolha do tema, Vinicius de Moraes

Mocidade tentou ser irreverente, mas acabou comum e óbvia

Portela revisita tempos de glória e está no páreo pelo título

SEGUNDA NOITE:

São Clemente ousa com "paradona" da bateria

Mangueira encanta com duas baterias, mas estoura tempo

Beija-Flor deita e rola na avenida, com riqueza e luzes nunca vistas

Grande Rio derrapa no gigantismo das alegorias verticais

Imperatriz mostra um Pará colorido e pitoresco

Vila Isabel faz samba de verdade e quem ganha é a própria

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